Teatro Parabelo

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2

de

junho

Fando e Lís: !NTERVENÇÕES

                                                              

 O projeto “Fando e Lís: Intervenções” foi concebido pelo Teatro Parabelo, a partir de necessidades apontadas pela realização do projeto de montagem “Fando e Lís”.

A decisão de vivenciarmos o nosso treinamento de Clown junto ao público, mostrou-se pungente para a pesquisa do ator, que encontra na dialética, ator – platéia, material para a composição de seu Clown, trazendo a ele a necessária autenticidade.

Este projeto caracteriza-se também como uma pesquisa de linguagem para o Teatro Parabelo, uma vez que ele visa, ao utilizar as técnicas do Teatro Imagem, possibilitar que experimentemos a questão da interatividade com o público, recurso que pretendemos inserir no produto final do processo criativo de ‘Fando e Lís”.

Essa pesquisa de linguagens (Clown e Teatro Imagem) será realizada através da problematização de temas discutidos na montagem de “Fando e Lís” junto com o público, investigando a relação dessas temáticas com o cotidiano da nossa comunidade, no intuito de refletir a respeito da relevância e contundência desse discurso perante o público, o que carateriza este projeto como uma pesquisa de conteúdo e forma, buscando construir um dialogo entre os dois. 
                      

O projeto “Fando e Lís: Intervenções” será realizado nas dependências do CEU Vila Atlântica e no seu entorno, e, esporadicamente, será realizado nos seguintes locais:

• Biblioteca Brito Broca

• Clube da Cidade de Pirituba

• Terminal Pirituba

• Pico do Jaraguá

O critério de seleção dos aparelhos públicos citados, foi pautado na tradição que, grande parte deles, possui em fomentar a produção cultural no bairro, dessa maneira, caracterizando-se como responsáveis pela formação de público dentro da comunidade.

Entendemos que, tornar a rua em sala de ensaio, e convidar o público para fazer parte dela, faz do projeto“ Fando e Lís: Intervenções” mais que uma pesquisa de conteúdo e forma, mas também o transforma numa ação cultural concreta dentro da comunidade, ao contribuir na necessária e urgente formação de público.

                                        

O projeto “Fando e Lís: Intervenções” acontecerá nos dias:

02/06 Sábado CEU Vila Atlântica
07/06 Quinta- Feira CEU Vila Atlântica
09/06 Sábado Biblioteca Brito Broca,Clube da Cidade de Pirituba e XXI Feira de Artes de Pirituba.
16/06 Sábado CEU Vila Atlântica
23/06 Sábado CEU Vila Atlântica
30/06 Sábado CEU Vila Atlântica
07/07 Sábado  C.E.E Lapa/ Pelezão e Terminal Pirituba
14/07 Sábado CEU Vila Atlântica
28/07 Sábado CEU Vila Atlântica
04/08 Sábado Pico do Jaraguá

 As intervenções acontecerão a partir das 12:30

                                                                        TEATRO PARABELO

31

de

maio

A Tar é impossivél chegar …

 

 ”O conhecimento que carrega Arrabal está preso a uma luz moral que está na própria matéria de sua arte”

                                                        Vicente Aleixandre, Poeta espanhol

 

 

 Fernando Arrabal

“ Se realmente ocorreu, na metade do século XX, na Espanha, um fato que inspirou Fernando Arrabal a escrever ,isso já não tem qualquer importância. Para a genialidade de Arrabal, a história torna-se um mero pretexto para a criação, pois se a história é verdadeira ou não pouco importa, porque a verdade se dá em perspectiva, onde existir e não-existir passa a ser o mesmo. Assim, se é possível estabelecer paralelismos e diferenças, colocando de um lado o fato histórico e do outro o fato artístico, a realidade da história é menos real que a obra de Arrabal, considerando que a única semelhança entre o que aconteceu e a sua literatura é que alguém premeditou uma criação, mas a riqueza e a realidade da obra do dramaturgo espanhol são terrivelmente superiores. A terrível superioridade da obra de Arrabal sobre o chamado fato histórico é que, quando ele escreve, a vida se dá como ela é, ou seja, como algo impossível de se compreender. Mas a impossibilidade de se compreender a vida é justamente o que nos enriquece de conhecimentos, tendo em vista que tais conhecimentos são resultados da busca, da intencionalidade, mesmo que não se chegue a lugar nenhum, conforme o caráter utilitarista de nosso modelo civilizatório. A busca é o seu próprio processo.”

                     Fernando Arrabal: O sonho é um mero detalhe, Wilson Coêlho

 E o que tem isso a ver com o Teatro Parabelo? Tudo. Pois fazer parte do Teatro Parabelo é  buscar a si mesmo, ao outro, e resistir. Certamente por isso, tenhamos nos identificado com uma das peças de Fernando Arrabal, Fando e Lís.

  O texto conta a estória de Fando, que num carrinho, leva a paralitica Lís em busca de uma cidade perdida chamada Tar.

  Após a leitura do texto, o Teatro Parabelo debruçou-se num trabalho de mesa, ao longo do mês de fevereiro, que consistia em seminários sobre os determinados assuntos:

 Fernando Arrabal: Vida e Obra

 Teatro do Absurdo: contexto, estética e dramaturgos

 Os relacionamentos Afetivos na contemporaneidade.

Uma nova mídia em cena: corpo, comunicação e Clown

 A partir desses estudos concluimos que  o texto de Fernado Arrabal não tem nada de absurdo, ou seja, que absurdo é o nosso cotidiano, e que, Arrabal, por sua vez coloca este cotidiano em cena.

                                                    

                                                                 Ensaio Teatro Parabelo

 Em março entramos na sala de ensaio, e por meio do treinamento de Clown e de técnicas de dança contemporanêa, buscamos dar forma as personagens que contam a estória de Fando e Lís, em busca da cidade perdida de Tar.

 

Denilson Vendramini e Thalita Duarte, ensaio Teatro Parabelo

 A montagem de Fando e Lís, está provando ao Teatro Parabelo, que numa sociedade onde o individualismo e o consumismo são caracteristicas de todo e qualquer esforço, ainda é possivél encontrar luz  nas relações de parceria. Fando e Lís tem estréia prevista para Agosto deste ano.

                                                                                           D!EGO MARQUES

                              assistam!  Fando e Lís, filme de Alejandro Jodorowski

Fotos:arquivo Teatro Parabelo

17

de

abril

O Clown é um poeta do pior

 Clown : derivado da palavra inglesa “clod”, que significa camponês. O clown se deriva do “clod” por ser a figura mais caçoada nas vilas e cortes da idade média, por seu modo engraçado e grotesco de falar, agir e se vestir .

                                                

                             Lee Andrade, atriz do Teatro Parabelo                                               

 “ O clown é a exposição do ridículo e das fraquezas de cada um. Logo ele é um tipo pessoal e único”

                                                                                ( Henry Miller)

  O  Clown não se representa - ele é, em outras palavras, não se trata de uma entidade externa a nós,  mas da ampliação e dilatação dos aspectos ingênuos, puros e humanos (como nos clods), portanto “estúpidos”, de nosso próprio ser.   O trabalho de criação de um clown é extremamente doloroso, pois confronta o artista consigo mesmo, colocando à mostra os recantos escondidos de sua pessoa; vem daí seu caráter profundamente humano.

  O Clown é um ser humano em estado puro, essencial; um ser que ainda é capaz de ser, de se surpreender, de fazer descobertas, de estranhar o mundo em que se vive e, apartir desse estranhamento de subverter o estabelecido.

                                                       

          O amigo Paulo Augusto, ator do Teatro Da Gangorra

   Essa autencidade é a maior qualidade e motivo de queda de um Clown, pois é apartir dela que se estabelece sua inadequação e inabilidade de lidar com as regras. A função básica de um clown é fazer rir. Rimos dele ou do que ele faz porque nos identificamos com ele e reconhecemos nele a fablibilidade da condição humana. Chocando-se contra padrões estabelecidos e estranhando-os, o Clown os desvenda e expõe seus padrões e mecanismos

                        

                       Exercicio de Sombras , ensaio Teatro Parabelo

             O NARIZ DE PALHAÇO : A MENOR MÁSCARA DO MUNDO

  A máscara exige que o ator entre em contato com seu fracasso e seu ridiculo, e pode ajuda-lo a aceita-los como uma condição inerente ao processo de criação.  Aceitar sua própria inadequação é fundamental para o ator. Além disso, a máscara permite ao ator uma sutilização de sua percepção, o que estimula uma relação muito mais intensa consigo mesmo e com o outro.

  A utilização da máscara pode ser um instrumento libertador e tranformador , levando ao despojamento e a aceitação do seu ridículo, a escuta verdadeira de si mesmo e do outro, e a poesia no olhar e no registrar o mundo em que esse ator está inserido e interage.

                                      

                         Exercicio de Sombras, Ensaio Teatro Parabelo
    

Texto adaptado por : De Vendramini e Di Marques

Edição: Lee Andrade e Di Marques                                                                          

Fotos: Saulo www.flickr.com/photos/saulo e Arquivo Teatro Parabelo

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