Teatro Parabelo

Teatro Pirituba Grupo Espaço Intervenção Sonho Ação Resistência Cultura

1

de

setembro

Parabelo: em busca da Terra sem Males

 Os guaranis saíram do Sul do Brasil, percorreram a costa litorânea brasileira em busca da Terra sem Males. Assim como nós Parabelos, eles buscavam um lugar melhor, uma Terra sem Males, parecida com a nossa Tar. Lá as pessoas não envelhecem, nem morrem e não há o sofrimento. Eu vejo a arte como meio para chegar lá. Ou mesmo para inventar esse lugar. Os guaranis a encontraram na região do Jaraguá. Foi uma Terra sem Males, por pouco tempo. Nós ainda estamos em busca. Estamos inventando esse lugar. Vejo o paradoxo que existe em nossa região, entre o natural e tecnológico. Tudo por conseqüência do homem branco, que logo tratou de dividir a Terra sem Males, vendê-la e povoá-la desenfreadamente. Expulsando,explorando, matando e deixando quase sem terra aqueles que aqui vieram primeiramente buscá-la, os índios. Que agora sobrevivem em terras doadas, protegidas pelas leis dos brancos, mendigando os frutos da terra. 

 

Placa na trilha do Pico do Jaraguá
Placa na trilha do Pico do Jaraguá

 

 

 

 

  Fico pensando: Quantos ritos foram quebrados? Quais eram esses ritos? Por quais ritos teremos que passar?

 Qual o inimigo a ser devorado? A estagnação? A dor? O sofrimento? A desigualdade? O preconceito? A ansiedade? A solidão? O ódio? A indiferença? A automação? A saída? O esquecimento?

   Estamos inventando um lugar a se chegar. Onde todos nós poderemos pensar: onde é minha Terra sem Males? O que eu terei que fazer para chegar lá? Até chegarmos a Revelação, ainda há uma trilha a ser desbravada.

 

 Enquanto isso, vemos a torre brilhar, no lugar dos vagalumes.

Antena do Pico do Jaraguá ao anoitecer

Antena do Pico do Jaraguá ao anoitecer

 

                                                       Eliane Andrade

 

29

de

julho

Mostra de Processo: Technalejo Primal 2.0

  

Ao longo do trajeto, os transeuntes curiosos comparavam com um fantasma. Na Comunidade  Cultural Quilombaque foi recebida como uma entidade alva e atemporal ao redor da qual o público circunscreveu-se  e silenciou-se. Um Totem.

 

Encarada como um objeto de desejo, foi despida de seu corpo cotidiano através das vestes ritualísticas das palavras mágicas escritas sob sua pele, o experienciador (espectador-participante) cobriu  a performer com suas utopias individuais transformadas em anseio coletivo por meio do rito entre o toque e o verbo.

No corpo a interface do primitivo e a  alta-tecnologia: a  tinta vermelha na pele embranquecida da performer e a câmera acoplada ao espectador participante deram vida a uma profusão de imagens sobrepostas, concretas e abstratas, rudimentares e virtuais, que ao som de percussões e sintetizadores, flertavam com outros corpos, reais e sociais.

 

Um transe que emergiu do espaço de respiro entre a obra e o espectador, entre  a música e a poesia. Uma viagem que partiu da tecnologia audiovisual pós-moderna para os balbuciar dos primórdios da linguagem humana.

 

 

Relato do Experienciador, por Dimas Reis:

 

8

de

julho

Resumo da Ópera

Ensaios de Dramaturgia

por Denilson Vendramini e Diego Marques

Ensaio de Dramaturgia Biblioteca Brito Broca 21/06

Ensaio de Dramaturgia Biblioteca Brito Broca 21/06

Durante o mês de Junho o Teatro Parabelo parou para pensar sobre o lugar que deseja. Através dos jogos de escrita, percebemos que optamos pela via negativa ao escrevermos quase que predominantemente sobre o lugar que não desejamos estar, esse por sua vez, se assemelha bastante com os contornos caóticos que dão forma a metrópole paulistana.

Ao longo dos ensaios de dramaturgia, coordenados rotativamente por integrantes do grupo, contamos com a presença de usuários da Biblioteca Brito Broca, local em que os ensaios foram realizados.

A dramaturgia que emergiu desses encontros revelaram textos imagéticos, não lineares, fragmentados que nos apontam novas possibilidades para interagir com o verbo em cena, acrescentando novas influências ao nosso cesto de referências, dentre as quais vale a pena destacar o cineasta norte-americano David Lynch cujo linguagem converge com a próxima etapa do processo, momento em que vamos nos voltar ao entorno do Espaço Teatro Parabelo, lançando mão da linguagem audiovisual.

Ensaios de Interpretação

por Eliane Andrade

Ensaios de Dramaturgia  Biblioteca Brito Broca 20/06

Ensaios de Dramaturgia Biblioteca Brito Broca 20/06

Após os ensaios de dramaturgia, estudamos o conceito de mímeses corpórea desenvolvido pelo grupo LUME, que consiste na observação de pessoas , objetos, imagens e animais com o objetivo de recriá-los no trabalho de interpretação e criação de personagens.

Em contraponto ao “corpo subjétil” (corpo recriado pelos atores através das observações propostas pelo LUME) encontramos o “corpo real” utilizado no processo criativo de Pina Bausch, que consiste no corpo do artista exprimindo suas emoções e vivencias pessoais através de movimento, que não buscam a interpretação.

Chegamos ao consenso de que o “corpo real’ será mais interessante no nosso processo criativo, porque o mesmo se aproxima de nossa linha de pesquisa em corpo não interpretativo.

Na próxima fase do projeto ” O Lugar que encontro” serão criadas performances ou cenas performáticas, desenvolvidas junto aos moradores do entorno do Espaço Teatro Parabelo, procurando assim somar o Lugar que eles desejam ao nosso. Arte Viva!

19

de

abril

Brainstorm and happy birthday to you

Estreou no último sábado Abatedouro, um experimento cênico livre inspirado no texto Matadouro Municipal de Tennessee Williams. Entramos em contato com o texto pela primeira vez em 2004 e resolvemos tirá-lo da gaveta para, através dele, propormos um projeto de ocupação para o Espaço Teatro Parabelo.

Estreia "Abatedouro" no espaço Teatro Parabelo

Estreia "Abatedouro" no espaço Teatro Parabelo

 

 

A partir de núcleos abertos à participação da comunidade, entre Março e Abril, improvisamos lançando mão de elementos presentes na Estética do Oprimido, sistematizada por Boal e também do uso de mídia áudio visual. Nesse momento do processo, estamos experimentando a contaminação da dramaturgia através da colagem de outros textos – como por exemplo o uso de trechos do Livro de Jó,  de Luis Alberto de Abreu.

 

A estréia do experimento foi à primeira apresentação teatral  feita no Espaço Teatro Parabelo, e para nossa surpresa, contou com um a presença de um grande público –  não só em termos quantitativos mas, acima de tudo, qualitativos : pessoas interessadas em dialogar com a produção artística periférica de peito aberto, sem medo de ser provocada e de nos provocar, vide às inúmeras colocações feitas ao término da sessão.

 

“(…) Tem muitos focos!”, “(…) Na tv, vocês passam muitos exemplos de Abatedouro né? (…)”, “(…) Abram as janelas! (…)” , “(…) Pra que a corda? (…)”, “(…) É muita violência (…)”, “(…) Achei que a porta ia cair (…)”, “(…) Eu não sabia pra onde olhar (…)”, “(…) Não tem saída, só a arte (…)”, “(…) eu não levantei por que não dá pra mudar!(…)”, “(…) Me dá uma cópia do texto?(…)”, “(…) Muito boa à peça viu tio? Quando tem mais? (…)”, “(…) Eu não entendi a metáfora da gaiola (…)”, “(…) Fala de mudança (…)”, (…) Vocês tem o que dizer (…)” , “(…) Meu Deus! (…)”, (…) Vocês são jovens e tem força eu fiquei muito feliz de ter vindo aqui (…)”, “(…) Reinaldo Maia colocaria essa gaiola na cabeça (…)”.

 

Mesmo sendo um brainstorm com ares de ensaio geral, fiquei muito intrigrado com o estado em que o público estava – como se todos estivessem tentando organizar as peças de um quebra cabeças na busca de um sentido.

Estreia "Abatedouro" no Espaço Teatro Parabelo

Estreia "Abatedouro" no Espaço Teatro Parabelo

 

 

Por outro lado, ali estávamos nós, na véspera de mais um aniversário, constatando como dia após dia fazer do teatro uma arma de resistência faz cada vez mais sentido. Como um espaço modifica não só as condições e as relações de trabalho mas também a relação com o público – tudo ficou mais dialógico, menos tênis e mais freescoball, como diria Rubem Alves.

 

Outro aspecto que só ontem me dei conta é que ali em cena está tudo e todos que impregnaram o nosso jeito de fazer e pensar teatro – tudo ao mesmo tempo agora, mais uma vez, o brainstorm.

Acho que foi o Fernando Peixoto quem disse que os ensaios só começam de verdade quando as cortinas se abrem – concordo.

 

Por Diego Marques

 

 

 

30

de

março

Um pouco de quântica

Para compor os àtomos de nossa matéria em transformação, a magia do teatro, vamos ao núcleo de cada uma destas partículas.

Desta vez, escolhemos Tennesse Williams e Augusto Boal para estimularem as reações químicas de nosso experimento teatral e daí surgiram os “Auto-móveis”

Auto Movéis - núcleo experimental (2009)

Auto Movéis - núcleo experimental (2009)

“Auto-móveis” é a denominação  dos núcleos em pesquisa, que irão gerar a matéria prima “Abatedouro” livre adaptação do texto “O Matadouro Municipal” de Tennessee Williams através dos recursos do Teatro do Oprimido, de Augusto Boal. Estes núcleos destrincham o texto original a partir de uma leitura dramática e das técnicas do Teatro Jornal, Teatro Imagem, Teatro do invisível e Teatro Fórum.

Desse modo a união da energia de cada núcleo é direcionada para a criação de um produto final- matéria física e metafísica do teatro.

Auto Movéis - núcleo experimental (2009)

Auto Movéis - núcleo experimental (2009)

     

Da física temos: corpo, voz, imagem, texto, luz, som, sombra, suor, lágrima…

Da metafísica: idéias, conceitos, visões, debates, comunhões, sentimentos…

Declaramos assim, aberta a temporada de pesquisa e criação no Espaço Teatral Parabelo. E viva os prótons, elétrons, nêutrons e afins!

Auto Movéis - núcleo experimental (2009)

Auto Movéis - núcleo experimental (2009)

Por Denise Rachel

26

de

março

A metrópole e o Teatro

Inauguração do Espaço Teatro Parabelo

Inauguração do Espaço Teatro Parabelo

 

Espaço.  O Espaço agora existe, é palpavél, é concreto,  cheiro, cor, poeira, TABLADO! O sonho que irá gerar tantos outros possiveís e impossiveís. Talvez seja essa a natureza e a finalidade da arte teatral: tornar palpavél os sonhos.

 Enquanto isso, São paulo (DESGRAÇA!) Lá fora. Sim! ” (…) Isso aqui é uma, desculpa a palavra, desculpa você, você e você, mas São Paulo é uma DESGRAÇA! (…)”  palavras de desespero de um morador de rua, na madrugada de uma segunda feira pós show do Radiohead. “(…) Olha esse prédio por fora. Bonito né? Agora vai entrar nele, aí você ve a rachadura”  Palavras ecoando no viaduto Nove de Julho.

 Tantos paradoxos em um único local, tanto prédios, casas, construções com belas fachadas, mas todos rachados por dentro. O Mundo de aparências de Platão, o mundo de aparências segundo a filosofia oriental. O mundo de aparências dita e destrói regras, o mundo de aparências embala tudo a vácuo, esvaziando qualquer possibilidade de respirar. Um mundo congelado, triste, com sorrisos estampados e um olhar vazio - choro e ódio que não param de escorrer por dentro.

São Paulo é plástico, duro e cinzento - imperfeito.  Plástico aço, Plástico ácido. Recipiente quase inesgotavél de embalagens plácidas, quase ínuteis.

Leitura Dramática Inauguração do Espaço Teatro Parabelo

Leitura Dramática Inauguração do Espaço Teatro Parabelo

Diante disso, alcançar os sonhos se torna um ato heróico. Diante disso, o Teatro vem como uma busca de sentido e se faz sentido. Mesmo assim, será o Teatro a resposta para todos esses eventos? Poderá esse dissipar a paralísia? Irá atenuar o vazio que assombra nossos pensamentos diariamente?

Talvez Teatro, em tempos de guerra seja destruir com todas as forças a imensa e não tão distante fábrica de aparências, tomar de assalto os embaladores, bombardear as ruínas que ainda restam…

Por Denise Rachel

 

4

de

janeiro

Trilogia da Emancipação: a dramaturgia do Teatro Parabelo

 Ao lançar um olhar sob a dramaturgia do Teatro Parabelo, me deparo com um fato um tanto quanto revelador sobre o teatro que fizemos - e que, a curto prazo, continuaremos a fazer.

 Desde quando eramos Ladrões de Foco, na criação coletiva “As Aventuras de Alipio em Busca de Claudete Bernadete” (2003), até nosso último texto, “Fando e Lis ou Mais uma História de Amor”  (2007), uma livre adaptação da peça de Fernando Arrabal, posso observar uma temática constante e latente no seio da nossa dramaturgia.   

Saulo Ferreira

Ladrões de Foco (2004) foto: Saulo Ferreira

Seja quando narramos a história de um mineirinho que deixa o interior de Minas Gerais rumo a Rede de Televisão, ou quando, em “Chico Tristeza” (2005),  encenamos a saga de um menino em busca do pai no sertão ou, mais recentemente, quando mostramos um casal que busca uma maravilhosa cidade perdida, percebo, numa perspectiva mais profunda, que estavamos, de modos diferentes, manifestando algo sempre similar.

  Entendo que mais que procurar, buscar, desbravar, essas personagens eram  constantemente movidas por um intenso desejo de emancipação.

    Num momento das imposições dos meios de comunicações ao cotidiano, em outro das influências da seca sob as famílias sertanejas e, por último, da penetração e da perpetuação da lógica do mercado nos relaciomentos afetivos, nossa dramaturgia frequentemente aponta um anseio por indepedência nos mais diferentes aspectos.

Elizabeth Susan

Chico Tristeza (2005) Foto:Elizabeth Susan

     Entretanto, essa busca por emancipação sempre se dá  por meio da negação daquilo que não queriamos - o discurso do mercado proferido pelas mídias, a secularidade da seca no âmago das familias nordestinas a reprodução inconsciente das leis do mercado em nossos relacionamentos afetivos. Ou seja, o que nós não queremos sempre me pareceu claro, mas, afinal: E o que queremos?  Se é que queremos.

  O fato é que esse questionamento tem sido fonte de muitas das recentes discussões do Teatro Parabelo, não só no âmbito do fazer artistíco, mas sobretudo no âmbito de ser  artista. Essa inquietação vem sempre imbuída da idéia de um lugar, seja ele material, espiritual, emocional e mesmo artístico, como por exemplo: Qual é o meu lugar no grupo nesse processo? Precisamos alugar um espaço para depositarmos nosso material? seria esse também um espaço para ensaio?  Que comunidade é essa para quem fazemos teatro?

Saulo Ferreira

Fando e Lis (2008) Foto: Saulo Ferreira

      São questões como essas que tem nos movido a tentar um fazer teatral cada vez mais independente de nossas racionalizações estéticas e burocráticas, emancipado da letárgia e do coorporativismo do funcionalismo público, num esforço contante de nos distanciarmos das imposições do mercado que, por vezes, faz nosssa existência  parecer,por si só, utópica.

     O desejo é que o teatro nos sirva de realejo, através do qual, nós mesmos possamos inventar a nossa sorte, nosso destino - além de milhares, de centenas,  de dezenas de outras histórias.

Por Diego Marques

18

de

setembro

Mais uma história de amor

            Há um ano atrás no teatro Clementina de Jesus (CEU Vila Atlântica) Fando e Lis subiram pela primeira vez ao palco. Como bem disse Fernando Peixoto, o ensaio havia começado, uma vez que a pedra fundamental havia chegado – o Público.

Nos últimos 365 dias circulamos pelos quatro cantos dessa metrópole, no sentido bairro-centro-bairro, em uma cadeira de rodas em busca de uma cidade maravilhosa cujo nome, agora, pouco importa.

Pois, nada foi mais importante do que dividirmos, cena a cena, nossas questões com um público que sempre nos trouxe mais perguntas do que respostas.

Provavelmente foram essas perguntas que nos moveram ao eterno construir e fazer manutenção de cada cena, colocando nosso produto artístico sempre em processo o que se tornou característico do nosso fazer teatral.

                                             

                  

                                          
Dessa forma, pudemos experimentar a linguagem aúdio visual, e até mesmo, consolidar um antigo flerte: o teatro de rua.

Um ano depois, Fando e Lis transformou-se numa montagem capaz de dialogar com espaços convencionais ou não, nos permitindo ir ao encontro do público, com muita música, cantada e tocada ao vivo! Outra vontade tornada realidade.

Um ano depois nós ainda nos fazemos as mesmas perguntas, que um dia, deram origem a essa montagem – para onde vamos? Como vamos? Com quem vamos? Como nos relacionamos no e com o nosso tempo-espaço? À essas questões, estamos certos, de que ganhamos alguns cúmplices.

Um ano depois continuamos escrevendo Fando e Lis ou Mais uma história de amor.

Para onde vamos agora? Quem viver e sentir, mais uma vez, verá!

Ps: quer acompanhar ao (Des) Montando Arrabal? Acesse: www.fotolog.com/teatroparabelo

8

de

junho

Revisitando o palhaço ou caça aos Clowns Brancos

 

Revisitar. Eis um verbo que se fez presente nos últimos tempos nos ensaios do Teatro Parabelo.

A produção para a estréia do projeto (Des)Montando Arrabal nos levou de volta ao começo de tudo. Reviver o processo criativo de Fando e Lis e poder otimizar suas potencialidades de tantas outras maneiras foi prazeiroso e dividir essa experiência com terceiros têm sido revigorante. É incrível a sensação de repetir seus passos, refazer suas pegadas e chegar aonde você (queria) quer estar.

                              

               

 Mas olhar para frente também é preciso. E para (Des)montar Arrabal, estamos (Re) Montando o mesmo. Graças ao apoio do Programa Para Valorização de Iniciativas Culturais - VAI, pudemos resgatar idéias que, antes, mostraram-se impo$$ivéi$ de serem executadas. Risos. 

 Porém, tantos prazos, regras, compromissos assumidos no último ano fez sobressaltar a autocracia na nossa postura enquanto grupo. E eis que a mesma surge com dedo em riste, em toda sua forma. Filha de nossas angústias, medos, ansiedades, bloqueios, cobranças, dessa vez ,resolvemos assumir a paternidade sem meas culpas.

 Após encontrarmos a pedra fundamental de nossa autocracia, não anunciada, demos inicio a um trabalho de prevenção a mesma:  depoimentos pessoais, redefinição de horários, redivisão de funções, reformulações de projetos, etc. tudo regado a muito refresco, biscoito de chocolate e gargalhadas - porque a gente caga regra, mas se diverte. Está instaurada a Terapia de Choque.

Tudo isso para que as influências desse mundão de bispa sônia, George Bush, Silvio Santos e cia. ilimitada exerçam a menor influência possivél sobre um trabalho feito com muito suor, neurônio, saliva, afeto e, para espanto de muitos, ( por enquanto ou ainda) sem fins lucrativos.

                                  

 Em suma: na busca da autonomia encontramos a senhora autocracia. E por mais que ela traga vantagens efêmeras e supérfluas, cansa cobrar todo mundo sempre pelas mesmas coisas. Deixemos esse serviço para o SPC/Serasa.

O exercicio agora é exercer a autonomia (individual e coletiva) na (Re)construção de novas relações de parcerias com nosso infinito particular e com o universo ao nosso redor. É tempo de voltar a colaborar!

     

 

 E para voltar a colaborar o Teatro Parabelo reafirma sua relação de parceria com os projetos Teatro e Dança Vocacional, com nosso diretor musical Victor Hugo de Freitas, com nosso dramaturgista honorário Jucenberg Nascimento, com nosso público cadeira cativa, produtor, preprador fisico, irmão e cobaia Dirceu Vendramini, na busca do diálogo com os mesmos, sem medo de dizer e/ou ouvir não.

              

 

 E de volta ao básico, a idéia agora é tirar a Violla (Spolin) do saco, e reviver os dias de ladrão de foco (leia-se dias de jogo, de improvisação, e de muita fanfarronice), e no cardápio ainda temos Laban de entrada e Teatro Épico de sobremesa .

Eis o Homotéspis: o ator como lugar do advento teatral, nosso novo-velho projeto como prato principal. E como já diz uma filosofa baiana: alegria agora. agora e amanhã, alegria agora e depois e depois e depois de amanhã.

25

de

agosto

O Teatro Parabelo e a rua

 

           

   A realização do projeto FANDO E LíS !NTERVENÇÕES, trouxe um novo elemento para a pesquisa do Teatro Parabelo - a Rua

    Sendo o teatro de rua uma linguagem ainda distante do mundo acadêmico, para qualquer que se interrese em estudá-lo, há apenas um belo e arduo caminho: a prática.

    Essa nova e rica linguagem, apresentou infinitas possibilidades, e inúmeros desafios ao trabalho do Teatro Parabelo.

              

   “Vejo que nossa relação com a rua, me fez pensar em como lidar com o improviso e ainda sim, ser clara na minha comunicação com o grupo e o público”.

                                                         Eliane Andrade – Atriz do Teatro Parabelo 

   A imprevisibilidade, faz da improvisação a principal tônica da performance do ator na rua; estar pronto para responder aos diferentes e constantes estímulos oferecidos por ela, ajuda aos praticantes da arte transeunte, a alcançar um importante objetivo – a interação com o público.

   A rua possibilita que o ator relacione-se com o público de maneira direta e não hierarquizada, fazendo com que o mesmo, seja mais que espectador , transformando- o em co-autor do espetáculo apresentado, constituindo uma relação horizontal entre arte e público, público e arte.

   Curiosamente, em nossas !ntervenções os grupos/classes oprimidos (idosos , crianças, negros, moradores de rua e outros), tem-se comportado, significativamente, de maneira mais receptiva e participativa em relação ao trabalho.

 A rua trouxe uma pergunta ao particular e ao coletivo Teatro Parabelo, nos fez pensar, sem méritos quantitativos e/ou qualitativos, no tipo de teatro que pretendemos fazer/e fazemos – alienado ou participativo? Eis a questão!
 

                 

                                                                                             TEATRO PARABELO

fotos: Aline Baker

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