
Revisitar. Eis um verbo que se fez presente nos últimos tempos nos ensaios do Teatro Parabelo.
A produção para a estréia do projeto (Des)Montando Arrabal nos levou de volta ao começo de tudo. Reviver o processo criativo de Fando e Lis e poder otimizar suas potencialidades de tantas outras maneiras foi prazeiroso e dividir essa experiência com terceiros têm sido revigorante. É incrível a sensação de repetir seus passos, refazer suas pegadas e chegar aonde você (queria) quer estar.

Mas olhar para frente também é preciso. E para (Des)montar Arrabal, estamos (Re) Montando o mesmo. Graças ao apoio do Programa Para Valorização de Iniciativas Culturais - VAI, pudemos resgatar idéias que, antes, mostraram-se impo$$ivéi$ de serem executadas. Risos.
Porém, tantos prazos, regras, compromissos assumidos no último ano fez sobressaltar a autocracia na nossa postura enquanto grupo. E eis que a mesma surge com dedo em riste, em toda sua forma. Filha de nossas angústias, medos, ansiedades, bloqueios, cobranças, dessa vez ,resolvemos assumir a paternidade sem meas culpas.
Após encontrarmos a pedra fundamental de nossa autocracia, não anunciada, demos inicio a um trabalho de prevenção a mesma: depoimentos pessoais, redefinição de horários, redivisão de funções, reformulações de projetos, etc. tudo regado a muito refresco, biscoito de chocolate e gargalhadas - porque a gente caga regra, mas se diverte. Está instaurada a Terapia de Choque.
Tudo isso para que as influências desse mundão de bispa sônia, George Bush, Silvio Santos e cia. ilimitada exerçam a menor influência possivél sobre um trabalho feito com muito suor, neurônio, saliva, afeto e, para espanto de muitos, ( por enquanto ou ainda) sem fins lucrativos.

Em suma: na busca da autonomia encontramos a senhora autocracia. E por mais que ela traga vantagens efêmeras e supérfluas, cansa cobrar todo mundo sempre pelas mesmas coisas. Deixemos esse serviço para o SPC/Serasa.
O exercicio agora é exercer a autonomia (individual e coletiva) na (Re)construção de novas relações de parcerias com nosso infinito particular e com o universo ao nosso redor. É tempo de voltar a colaborar!

E para voltar a colaborar o Teatro Parabelo reafirma sua relação de parceria com os projetos Teatro e Dança Vocacional, com nosso diretor musical Victor Hugo de Freitas, com nosso dramaturgista honorário Jucenberg Nascimento, com nosso público cadeira cativa, produtor, preprador fisico, irmão e cobaia Dirceu Vendramini, na busca do diálogo com os mesmos, sem medo de dizer e/ou ouvir não.

E de volta ao básico, a idéia agora é tirar a Violla (Spolin) do saco, e reviver os dias de ladrão de foco (leia-se dias de jogo, de improvisação, e de muita fanfarronice), e no cardápio ainda temos Laban de entrada e Teatro Épico de sobremesa .
Eis o Homotéspis: o ator como lugar do advento teatral, nosso novo-velho projeto como prato principal. E como já diz uma filosofa baiana: alegria agora. agora e amanhã, alegria agora e depois e depois e depois de amanhã.