Teatro Parabelo

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6

de

maio

O Que Eu Entendi Do Que O Parabelo Disse?

No último dia 24 de Abril, finalizamos a temporada do projeto “O que eu entendi do que o Parabelo disse?” no CEU Vila Atlântica. Ao longo do mês de abril foram realizadas 3 apresentações, com média de público de 20 a 40 pessoas cada.

Divulgação do projeto.

Programa - Cartaz: Divulgação do projeto.

 

 

Durante toda a temporada houve participação maciça dos usuários mais assíduos do CEU: As Crianças, tanto que no final do projeto algumas delas que assistiram a todas as apresentações, explicavam as regras do debate ao restante do público. Isso nos fez lembrar que em outras apresentações de “Fando e Lis – ou Mais uma História de Amor” foi imposto pela Gestão Cultural do CEU Vila Atlântica uma censura de 14 anos, mas que dessa vez – devido à ausência do CEU no acompanhamento do projeto – não houve censura, uma vez que entendemos que as cenas de violência e semi nudez apresentadas na peça não estão distantes da realidade dessas crianças.

 

A Gestão Cultural do CEU Vila Atlântica manteve-se distante da execução do projeto. Tínhamos contato apenas com o segurança que abria o espaço e o técnico de iluminação que sempre trazia a mesa de luz. Tal ausência se evidenciou na última apresentação quando algumas pessoas chegaram um pouco antes do horário, e teriam ficado na chuva, não fosse a preocupação de uma integrante do grupo em resolver o problema e acompanhá-los até uma área semi coberta, uma vez que não havia nenhum segurança próximo e a porta do Foyer estava trancada.

 

Em geral durante a divulgação que foi feita previamente nas escolas do entorno e na unidade escolar do CEU Vila Atlântica (visitas monitoradas), devido ao fato do projeto acontecer durante o horário de aula, encontramos resistência por parte de alguns professores e/ou coordenadores em relação ao mesmo, eles alegavam: “Cultura não faz parte do dia-a-dia deles, eles não vão querer ir!” ou “Esses alunos só gostam de GLS – Giz, Lousa e Sentar”. Mesmo assim, no dia 17/04, alunos da Unidade Escolar do CEU que estavam interessados em participar do projeto, se organizaram e convenceram uma professora. Neste dia a sala toda compareceu a apresentação.

 

As leituras do espetáculo feitas pelo público foram as mais diversas, mas sempre as pessoas relacionavam as questões de “Fando e Lis – ou Mais uma História de Amor”, com situações de seu cotidiano: amigos que brigam por causa de uma namorada, famílias que saem em busca de diversão, mas não entram num acordo e nunca encontram o Parque (associação à viagem que os personagens fazem rumo à Cidade de Tar); dependência mútua; falta de solidariedade e individualismo, entre outros*

Finalização do projeto

Foto: Finalização do projeto

 

 

“O que eu entendi do que o Parabelo disse?” foi um projeto de mediação teatral, através do qual dialogamos com o público, abrindo espaço para que manifestassem suas subjetividades e expressassem suas idéias sobre o espetáculo, expondo suas opiniões através de imagens artísticas, tornando a relação entre público e ator cada vez mais horizontal.

 

Entrar em contato novamente com a comunidade do CEU Vila Atlântica nos fez reafirmar o quanto uma ação de formação de público contínua é importante, para que as pessoas tenham contato com imagens, sons e sensações, que vão além do seu cotidiano, e que possam se reconhecer como criadoras. E exijam uma programação de qualidade no CEU, para que tenham assegurado o seu direito à cultura e lazer.

 

O projeto afirmou nossa condição de resistência, como grupo atuante em nossa comunidade, na busca pelo respeito aos moradores e pela valorização das manifestações artísticas da periferia.

 

* Vide vídeos: www.youtube.com.br/teatroparabelo

 

Por Thalita Duarte

 

19

de

abril

Brainstorm and happy birthday to you

Estreou no último sábado Abatedouro, um experimento cênico livre inspirado no texto Matadouro Municipal de Tennessee Williams. Entramos em contato com o texto pela primeira vez em 2004 e resolvemos tirá-lo da gaveta para, através dele, propormos um projeto de ocupação para o Espaço Teatro Parabelo.

Estreia "Abatedouro" no espaço Teatro Parabelo

Estreia "Abatedouro" no espaço Teatro Parabelo

 

 

A partir de núcleos abertos à participação da comunidade, entre Março e Abril, improvisamos lançando mão de elementos presentes na Estética do Oprimido, sistematizada por Boal e também do uso de mídia áudio visual. Nesse momento do processo, estamos experimentando a contaminação da dramaturgia através da colagem de outros textos – como por exemplo o uso de trechos do Livro de Jó,  de Luis Alberto de Abreu.

 

A estréia do experimento foi à primeira apresentação teatral  feita no Espaço Teatro Parabelo, e para nossa surpresa, contou com um a presença de um grande público –  não só em termos quantitativos mas, acima de tudo, qualitativos : pessoas interessadas em dialogar com a produção artística periférica de peito aberto, sem medo de ser provocada e de nos provocar, vide às inúmeras colocações feitas ao término da sessão.

 

“(…) Tem muitos focos!”, “(…) Na tv, vocês passam muitos exemplos de Abatedouro né? (…)”, “(…) Abram as janelas! (…)” , “(…) Pra que a corda? (…)”, “(…) É muita violência (…)”, “(…) Achei que a porta ia cair (…)”, “(…) Eu não sabia pra onde olhar (…)”, “(…) Não tem saída, só a arte (…)”, “(…) eu não levantei por que não dá pra mudar!(…)”, “(…) Me dá uma cópia do texto?(…)”, “(…) Muito boa à peça viu tio? Quando tem mais? (…)”, “(…) Eu não entendi a metáfora da gaiola (…)”, “(…) Fala de mudança (…)”, (…) Vocês tem o que dizer (…)” , “(…) Meu Deus! (…)”, (…) Vocês são jovens e tem força eu fiquei muito feliz de ter vindo aqui (…)”, “(…) Reinaldo Maia colocaria essa gaiola na cabeça (…)”.

 

Mesmo sendo um brainstorm com ares de ensaio geral, fiquei muito intrigrado com o estado em que o público estava – como se todos estivessem tentando organizar as peças de um quebra cabeças na busca de um sentido.

Estreia "Abatedouro" no Espaço Teatro Parabelo

Estreia "Abatedouro" no Espaço Teatro Parabelo

 

 

Por outro lado, ali estávamos nós, na véspera de mais um aniversário, constatando como dia após dia fazer do teatro uma arma de resistência faz cada vez mais sentido. Como um espaço modifica não só as condições e as relações de trabalho mas também a relação com o público – tudo ficou mais dialógico, menos tênis e mais freescoball, como diria Rubem Alves.

 

Outro aspecto que só ontem me dei conta é que ali em cena está tudo e todos que impregnaram o nosso jeito de fazer e pensar teatro – tudo ao mesmo tempo agora, mais uma vez, o brainstorm.

Acho que foi o Fernando Peixoto quem disse que os ensaios só começam de verdade quando as cortinas se abrem – concordo.

 

Por Diego Marques

 

 

 

2

de

outubro

Canções de amor se parecem…

 

…Porque não existe outro amor. (Zeca Balero) por Luciana Lima

Na nova fase desta adaptação do texto de Fernando Arrabal do Teatro Parabelo, com ares de “A Favorita” versão surrealista, a criminosa da vez é a doce Lis (Thalita Duarte) – a despeito do até então supermalvado Fando (Denilson Vendramini), o bufão incansável. Mas isso não resume o enredo, já que a peça não está, nunca esteve e jamais estará pronta. É por isso que é sempre surpreendente ver meus queridos Parabelos em cena: pela habilidade de se reinventar a cada nova encenação, e até mesmo a cada novo ensaio. Embora fale de amor – o que a aproxima das demais histórias do gênero, como revela o próprio subtítulo – esse amor não é fácil nem óbvio, pois é um amor que assume novas nuances a cada discussão e laboratório. Afinal, nenhum amor pode ser só o que se vê.

Assisti ao último ensaio do grupo, e gostei bastante de alguns recursos introduzidos nesta atual encenação, como a música em cena – acompanhando as letras de cunho cafajeste que tomaram corpo nesta versão, executadas pelo fanfarrão Diego Marques (que assume a direção) e pela charmosa Eliane Andrade – e as projeções, feitas ao longo da montagem em tempo real por Dirceu Vendramini, em vez de serem executadas em mídia previamente gravada. Este último recurso, aliás, é a novidade desta versão que mais me chamou a atenção. A câmera em cena, que registra todos os pormenores e contempla o espectador com a matéria que não vemos na cena ativa no palco dá à encenação um caráter de Grande Irmão, transformando a platéia naquela que tudo vê e, portanto, participa ativamente do jogo de cena, podendo refutar, com maior liberdade, ao viés cênico que não lhe interessar, ao mesmo tempo em que tem ciência de todos os mínimos detalhes. Tudo isso traz fôlego novo à montagem e mostra a habilidade da trupe de lidar com o experimental, de inovar, além de ressaltar a proposta de tornar o público um elemento ativo do texto, matéria viva e pulsante, em constante movimento.

Fando & Lis mostra os desmandos de um amor louco, que se torna ação e reação devido à solidão (“Eu só tenho você no mundo, não me deixe”), em um universo onírico no qual cada movimento é essencial a um jogo que culmina em um xeque-mate frustrante, pois amputa uma parte daquilo que não pode ser amputado, por ser um todo fundamental (Yin/Yang).

Tar é o ponto de chegada ao qual o amor de dois personagens, paralisados por suas incertezas, pretende chegar. Mas a Tar, como informa o coro, é impossível chegar.

Fotos: Saulo Ferreira

PS: Enquanto isso no (Des)Montando Arrabal http://www.fotolog.com/teatroparabelo

2

de

fevereiro

Em Busca Da Terra Prometida

  Por Jucenberg Nascimento, Quinto semestre de Jornalismo. Centro Universitário Unisant’anna.

                      

A vida humana consiste numa infinidade de absurdos: relacionamentos complicados e doentios; a busca por uma felicidade por muitos desejada que ninguém sabe muito bem onde se encontra; a necessidade virtual de consumir cada   vez mais, por razões muitas vezes supérfluas, etc.

Pensar em todas essas questões ao mesmo tempo , pode até dar um nó na cabeça, mas é exatamente isso que a peça “Fando e Lis” se propõe fazer. A adaptação do grupo Teatro Parabelo do texto do dramaturgo espanhol Fernando Arrabal enche nossas mentes com imagens burlescas que refletem de maneira singular como a vida humana se tornou um enigma que desafia a pura razão, quando não muito zomba dela.

Os quatro atores em cena conversam dialogando diretamente com a platéia, interagem com ela, como que para incluí-la na trama, no enredo, no desenrolar de suas próprias histórias. Tanto que há uma cena em que pessoas do público são convidadas ao palco para participar da cena mais emblemática da peça: a tranformação do ser humano em simples mercadoria.

Assistir a essa montagem não nos leva a um porto seguro aonde podemos ter a certeza de estar no caminho certo. Pelo contrário, as cenas nos desafiam a buscar nelas algo de nós mesmos que nem sempre identificamos, ou até negamos existir. Saímos com a sensação de algo desconfortável, mas ao mesmo tempo animador, que nos leva a ir mais fundo na busca de uma resposta coerente, um caminho menos cruel.

Todos nós buscamos a cidade de Tar, não apenas os atores.Mas são eles que estão ali exibindo como essa busca pode machucar os seres humanos, devido aos vícios que adquirimos ao longo da vida, influenciados por um sistema alheio a nossa natureza. A uma infinidade de pessoas semelhantes a Lis que perecem durante o processo, e o que fazer? Aqueles que sobrevivem devem prosseguir, até que chegue a sua hora de perecer.

Os integrantes do Teatro Parabelo souberam adaptar nosso tempo-espaço à idéia do texto original, e assim, contribuiram com mais uma peça na infindável epopéia humana.

 Para quem se interessar em fazer parte dessa busca:

12/02 Mostra Vocaional no CCJ Av. Dep. Emilio Carlos 3641 Vila Nova Cachoeirinha (Ao lado do Terminal Cachoeirinha) 20:00

 22/02 !ntervenções Sarau Casa Brasil Av. Mutinga 1425 Pirituba (Em frente ao Carrefour) 19:00

23/02 I Conferência Municipal de Juventude Av. Interlagos, 1329 Univiversidade ibirapuera  08:00 às 18:00

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