21
de
maio
Reflexões sobre o lugar
No próximo sábado, 23/05 o Teatro Parabelo dá inicio ao projeto Realejo – O lugar que desejo, contemplado pela edição de 2009 do Programa Para Valorização de Iniciativas Culturais – VAI.
O projeto nasceu de um olhar lançado sob o repertório do coletivo através do qual diagnosticamos uma constante: em todos os nossos os nossos espetáculos tratávamos da procura de algo, alguém ou de um lugar – nesse mesmo momento havíamos percebido que se quiséssemos manter alguma estabilidade em nosso fazer teatral tínhamos que manter um espaço de trabalho.
Outro ponto interessante, é que depois da montagem de Fando e Lis ou Mais Uma História de Amor, embarcamos numa apolínea egotrip na qual questionamos o lugar de cada integrante do Teatro Parabelo: como organizar o fazer teatral coletivamente? Como equalizar as vozes dentro de um coletivo artístico? Qual lugar cada um ocupa dentro do grupo? Qual a qualidade desse lugar: ele é estático ou móvel? Em ultima instância: precisa haver um lugar?
Dessa maneira, Realejo – o lugar que desejo também nasceu de uma outra vontade: de embarcar dionisiacamente nessa reflexão de modo em que todos pudessem estar em todos os lugares do fazer artístico ao mesmo tempo, e quando digo todos, me refiro a um todo especial: o projeto consiste numa série de ensaios abertos à comunidade onde todos proporão cenas e intervenções a partir da dramaturgia, das mídias audiovisuais e da performance, dessa forma, todos participarão da criação daquilo que não se sabe se será um espetáculo.
Se nos atentarmos a palavra comunidade, uma outra esfera de lugar emerge permeando o projeto e é justamente nesse ponto que, neste momento, concentraremos nossa pesquisa: no conceito de comunidade.
O Ciclo de estudos Reflexões Sobre o Lugar acontecerá nesse próximo fim de semana em três pontos do bairro quase que simultaneamente: Biblioteca Brito Broca, CEU Vila Atlântica e no Espaço Teatro Parabelo. Três lugares que procuraremos articular ao longo do projeto, promovendo o diálogo entre o espaço público e a produção artística local – uma vez que nessa fase do projeto contamos com a participação do já tradicional (no melhor sentido do termo) Elo da Corrente que fez do Bar do Santista mais um espaço para criação e reflexão artística dentro da comunidade.
É através dessa convergência de lugares e pessoas que o Teatro Parabelo espera nos próximos oito meses realizar aquele que, em suma, parece ser o nosso maior desejo: colaborar para com a construção de uma sociedade mais democrática através do Teatro, garantindo o acesso e a fruição das artes, sobretudo do Teatro, para que através deste possamos ser sujeitos de nossa própria história.
Por Diego Marques

















