Teatro Parabelo

Teatro Pirituba Grupo Espaço Intervenção Sonho Ação Resistência Cultura

21

de

maio

Reflexões sobre o lugar

No próximo sábado, 23/05 o Teatro Parabelo dá inicio ao projeto Realejo –  O lugar que desejo, contemplado pela edição de 2009 do Programa Para Valorização de Iniciativas Culturais – VAI.

 

O projeto nasceu de um olhar lançado sob o repertório do coletivo através do qual diagnosticamos uma constante: em todos os nossos os nossos espetáculos tratávamos da procura de algo, alguém ou de um lugar – nesse mesmo momento havíamos percebido que se quiséssemos manter alguma estabilidade em nosso fazer teatral tínhamos que manter um espaço de trabalho.

 

Outro ponto interessante, é que depois da montagem de Fando e Lis ou Mais Uma História de Amor, embarcamos numa  apolínea egotrip na qual questionamos o lugar de cada integrante do Teatro Parabelo: como organizar o fazer teatral coletivamente? Como equalizar as vozes dentro de um coletivo artístico? Qual lugar cada um ocupa dentro do grupo? Qual a qualidade desse lugar: ele é estático ou móvel? Em ultima instância: precisa haver um lugar?

 

Dessa maneira, Realejo – o lugar que desejo também nasceu de uma outra vontade: de embarcar dionisiacamente nessa reflexão de modo em que todos pudessem estar em todos os lugares do fazer artístico ao mesmo tempo, e quando digo todos, me refiro a um todo especial: o projeto consiste numa série de ensaios abertos à comunidade onde todos proporão cenas e intervenções a partir da dramaturgia, das mídias audiovisuais e da performance, dessa forma, todos participarão da criação daquilo que não se sabe se será um espetáculo.

Milene Valentir

Arte Gráfica: Milene Valentir

 

 

Se nos atentarmos a palavra comunidade, uma outra esfera de lugar emerge permeando o projeto e é justamente nesse ponto que, neste momento, concentraremos nossa pesquisa: no conceito de comunidade.

 

O Ciclo de estudos Reflexões Sobre o Lugar acontecerá nesse próximo fim de semana em três pontos do bairro quase que simultaneamente: Biblioteca Brito Broca, CEU Vila Atlântica e no Espaço Teatro Parabelo. Três lugares que procuraremos articular ao longo do projeto, promovendo o diálogo entre o espaço público e a produção artística local – uma vez que nessa fase do projeto contamos com a participação do já tradicional (no melhor sentido do termo) Elo da Corrente que fez do Bar do Santista mais um espaço para criação e reflexão artística dentro da comunidade.

 

É através dessa convergência de lugares e pessoas que o Teatro Parabelo espera nos próximos oito meses realizar aquele que, em suma, parece ser o nosso maior desejo: colaborar para com a construção de uma sociedade mais democrática através do Teatro, garantindo o acesso e a fruição das artes, sobretudo do Teatro, para que através deste possamos ser sujeitos de nossa própria história.

 

Por Diego Marques

19

de

abril

Brainstorm and happy birthday to you

Estreou no último sábado Abatedouro, um experimento cênico livre inspirado no texto Matadouro Municipal de Tennessee Williams. Entramos em contato com o texto pela primeira vez em 2004 e resolvemos tirá-lo da gaveta para, através dele, propormos um projeto de ocupação para o Espaço Teatro Parabelo.

Estreia "Abatedouro" no espaço Teatro Parabelo

Estreia "Abatedouro" no espaço Teatro Parabelo

 

 

A partir de núcleos abertos à participação da comunidade, entre Março e Abril, improvisamos lançando mão de elementos presentes na Estética do Oprimido, sistematizada por Boal e também do uso de mídia áudio visual. Nesse momento do processo, estamos experimentando a contaminação da dramaturgia através da colagem de outros textos – como por exemplo o uso de trechos do Livro de Jó,  de Luis Alberto de Abreu.

 

A estréia do experimento foi à primeira apresentação teatral  feita no Espaço Teatro Parabelo, e para nossa surpresa, contou com um a presença de um grande público –  não só em termos quantitativos mas, acima de tudo, qualitativos : pessoas interessadas em dialogar com a produção artística periférica de peito aberto, sem medo de ser provocada e de nos provocar, vide às inúmeras colocações feitas ao término da sessão.

 

“(…) Tem muitos focos!”, “(…) Na tv, vocês passam muitos exemplos de Abatedouro né? (…)”, “(…) Abram as janelas! (…)” , “(…) Pra que a corda? (…)”, “(…) É muita violência (…)”, “(…) Achei que a porta ia cair (…)”, “(…) Eu não sabia pra onde olhar (…)”, “(…) Não tem saída, só a arte (…)”, “(…) eu não levantei por que não dá pra mudar!(…)”, “(…) Me dá uma cópia do texto?(…)”, “(…) Muito boa à peça viu tio? Quando tem mais? (…)”, “(…) Eu não entendi a metáfora da gaiola (…)”, “(…) Fala de mudança (…)”, (…) Vocês tem o que dizer (…)” , “(…) Meu Deus! (…)”, (…) Vocês são jovens e tem força eu fiquei muito feliz de ter vindo aqui (…)”, “(…) Reinaldo Maia colocaria essa gaiola na cabeça (…)”.

 

Mesmo sendo um brainstorm com ares de ensaio geral, fiquei muito intrigrado com o estado em que o público estava – como se todos estivessem tentando organizar as peças de um quebra cabeças na busca de um sentido.

Estreia "Abatedouro" no Espaço Teatro Parabelo

Estreia "Abatedouro" no Espaço Teatro Parabelo

 

 

Por outro lado, ali estávamos nós, na véspera de mais um aniversário, constatando como dia após dia fazer do teatro uma arma de resistência faz cada vez mais sentido. Como um espaço modifica não só as condições e as relações de trabalho mas também a relação com o público – tudo ficou mais dialógico, menos tênis e mais freescoball, como diria Rubem Alves.

 

Outro aspecto que só ontem me dei conta é que ali em cena está tudo e todos que impregnaram o nosso jeito de fazer e pensar teatro – tudo ao mesmo tempo agora, mais uma vez, o brainstorm.

Acho que foi o Fernando Peixoto quem disse que os ensaios só começam de verdade quando as cortinas se abrem – concordo.

 

Por Diego Marques

 

 

 

16

de

abril

O Caminho do Abate

Às 06:00 horas ecoa o berrante; o som reverbera nas gorduras do meu corpo – ele não consegue levantar. O berrante continua a me dizer o que tenho que fazer, mas meu papo e meu bucho insistem em estrebuchar-se num lençol fétido. Não diferencio mais a buzina do mugido, sinto minha massa encefálica lentamente ser fatiada por um cortador de frios. Gordo, não consigo levantar-me, portanto, esparramo meu peso sob minhas patas tortas e cansadas. Já não caminho, arrasto-me ou sou arrastado, provavelmente aprendi a deixar-me arrastar.  Há alguns anos tenho sentido uma corda firme e grossa presa em alguma parte de mim. Talvez na cabeça, talvez no coração.

 

A corda dá um tranco. O berrante ordena. Subo no carro de boi. Alguns tentam manterem-se de pé, outros dormem. São muitos, milhares,  eu diria. Berrante. Todos grandes, gordos e inofensivos. Trânsito engarrafado. Bois. Berrante ensurdecedor. Pela vidraça vemos carnes penduradas em vitrines, estou certo de que não poderei comprar mais que 1ou dois 2 kg. Berrante zunindo. Meu pensamento é interrompido, uma vaca velha e suja me oferece uma lata de sangue de boi gaseificado. Minha boca saliva, o carro dá um tranco e a baba homogênea escorrega. O berrante ocupa todos os espaços vazios da cidade, do meu corpo.

 

O  cheiro de sangue invade minhas ventas. Confundo mugido e buzinas. O carro para. O berrante volta a dizer o que devo fazer. Os bois disparam. O berrante repete. A corda estica. Sono e náusea. Quase despenco no chão. Risadas. Machadadas. Trituradores. Laminas. Acordo. Eles tornam as coisas mais difíceis se você chega atrasado. Eles demoram a acabar com tudo.

 

Por Diego Marques

 

26

de

março

A metrópole e o Teatro

Inauguração do Espaço Teatro Parabelo

Inauguração do Espaço Teatro Parabelo

 

Espaço.  O Espaço agora existe, é palpavél, é concreto,  cheiro, cor, poeira, TABLADO! O sonho que irá gerar tantos outros possiveís e impossiveís. Talvez seja essa a natureza e a finalidade da arte teatral: tornar palpavél os sonhos.

 Enquanto isso, São paulo (DESGRAÇA!) Lá fora. Sim! ” (…) Isso aqui é uma, desculpa a palavra, desculpa você, você e você, mas São Paulo é uma DESGRAÇA! (…)”  palavras de desespero de um morador de rua, na madrugada de uma segunda feira pós show do Radiohead. “(…) Olha esse prédio por fora. Bonito né? Agora vai entrar nele, aí você ve a rachadura”  Palavras ecoando no viaduto Nove de Julho.

 Tantos paradoxos em um único local, tanto prédios, casas, construções com belas fachadas, mas todos rachados por dentro. O Mundo de aparências de Platão, o mundo de aparências segundo a filosofia oriental. O mundo de aparências dita e destrói regras, o mundo de aparências embala tudo a vácuo, esvaziando qualquer possibilidade de respirar. Um mundo congelado, triste, com sorrisos estampados e um olhar vazio - choro e ódio que não param de escorrer por dentro.

São Paulo é plástico, duro e cinzento - imperfeito.  Plástico aço, Plástico ácido. Recipiente quase inesgotavél de embalagens plácidas, quase ínuteis.

Leitura Dramática Inauguração do Espaço Teatro Parabelo

Leitura Dramática Inauguração do Espaço Teatro Parabelo

Diante disso, alcançar os sonhos se torna um ato heróico. Diante disso, o Teatro vem como uma busca de sentido e se faz sentido. Mesmo assim, será o Teatro a resposta para todos esses eventos? Poderá esse dissipar a paralísia? Irá atenuar o vazio que assombra nossos pensamentos diariamente?

Talvez Teatro, em tempos de guerra seja destruir com todas as forças a imensa e não tão distante fábrica de aparências, tomar de assalto os embaladores, bombardear as ruínas que ainda restam…

Por Denise Rachel

 

14

de

março

Sobre meninos e lobos

 

Na última sexta feira 13 demos inicio ao projeto O Que Eu Entendi Do Que O Parabelo Disse?, que por sua vez era uma das ações do projeto (Des) Montando Arrabal mas que ganha vida própria por se revelar como uma poderosa ferramenta para horizontalizar a relação entre palco e platéia, artista e público.                                               

 O projeto, apoiado pela IV Edição do Prêmio Aprendiz Comgás, tem como público alvo os alunos da Escola de Jovens e Adultos (EJA) do CEU Vila Atlântica e do seu entorno, além da comunidade local.

 

Durante a estréia pudemos nos debater com uma  questão que, aparentemente, permeará todo o projeto: o público alvo.

 

Teatro Parabelo

Fando e Lis ou Mais Uma História de Amor Foto: Teatro Parabelo

 

O projeto consiste na apresentação do espetáculo Fando e Lis ou Mais Uma História de Amor mediante a realização de um debate ao término do mesmo. Para tanto, optamos pelos alunos do EJA como público alvo, pois, como a ação visa à formação de platéias e entendemos esses jovens e adultos como potentes vinculadores de informação  dentro da comunidade, cremos que eles possam contribuir para com a sensibilização da comunidade, para que esta venha ocupar e fruir do espaço público, no caso, o CEU Vila Atlântica.

 

No entanto, na sua implementação, o projeto passou por alterações logísticas, saindo de um amplo teatro para uma sala mais intimista que muito contribui para com o espetáculo, porém, dificulta o alcance do seu público alvo, pois,  ao se tratar de um espaço físico menor, dificilmente este conseguiria acomodar uma sala de aula com mais de 30 alunos, e  uma vez que, o projeto acontece às sextas feiras durante o horário de aula, a inclusão do espetáculo no plano de aula do professor, seria um facilitador para a ação. Mas por que tem que ser fácil?

 

Esse cruzamento de horários, acabou por nos fazer questionar um aspecto fundamental ao lidarmos com a formação de público e platéias: o aspecto cultural – Pra quê ir ao Teatro? Por que ir ao Teatro? E mais – Qual o papel do educador nesse processo?

 

Ou seja, ir ao teatro como uma atividade escolar, seja esta extra curricular ou não, nos parece menos interessante  do que ir ao teatro espontaneamente, no pleno exercício de seu livre arbítrio. Faltar à aula para ir ao Teatro? Mas as escolas não suspendem suas aulas durante os jogos da seleção na Copa do Mundo? Não faltamos aos nossos compromissos, sem a menor cerimônia, para acompanhar o último capitulo da novela das oito, ou sua versão pós-moderna, o Big Brother?

 

Assim sendo, colocar essa questão ao aluno do EJA, estimulá-lo a fazer uma revisão de nossos valores culturais parece ser, por si só, um detonador de questões pertinentes  não só ao educando, mas também a instituição de ensino: como entender a ausência de um aluno que, a priori, decide ir ao Teatro, entrar em contato com a produção artística local, e ter a oportunidade de participar artisticamente de um debate sobre tal experiência? São questões que os outros EJAS que receberão as visitas monitoradas de divulgação do projeto, poderão nos ajudar a reverberar.

 

                                                         

 

Teatro Parabelo

Estreia O Que Eu Entendi Do Que O Parabelo Disse? Foto: Teatro Parabelo

 

 

Em contrapartida, eis que,  novamente ela/ele surgem como público cativo de nossas ações no CEU Vila Atlântica: a criança e o adolescente. E outras questões emergem: como lidar com este público com uma temática adulta?  Fomos além: o que seria uma temática adulta para aqueles que já vivem todas as ausências,  marginalizações, violências e opressões típicas do mundo, dito, de adultos?  Mais uma vez, o cerne da questão parece ser a inversão/revisão de valores, mas dessa vez, especialmente de nossos valores enquanto artistas, agentes culturais, educadores e por que não, cidadãos.

 

Acreditamos que na periferia do extremo oeste do município de São Paulo, o conceito de criança e adolescente não pode ser o mesmo que nos jardins, bairro nobre da mesma metrópole. Em outras palavras, o que choca uma criança nascida no Hospital Albert Eisnten não é o mesmo que choca uma criança nascida, às vezes, na ambulância que não consegue chegar a tempo ao pronto socorro mais próximo. Quando nascem.

Teatro Parabelo

Estreia do O Que Eu Entendi Do Que O Parabelo Disse? Foto: Teatro Parabelo

                        

E se chego a tal conclusão, não é pautado em outra coisa, senão, na participação destes ao longo do espetáculo: se um ator pergunta a um espectador, convidado a ir ao palco,  o que ele quer ser quando crescer e ele diz, no auge de seus 15 anos, não sei - O que irá chocá-lo? Se nesse mesmo momento um outro espectador, sentado na platéia, sugere: prostituta! eu novamente me pergunto: O que irá chocá-lo? - uma jovem atriz que, ao interpretar uma personagem que ao se sentir usada como um objeto, despe seu colo e se carimba com um código de barras?

 

Creio que não, pois ao assistir a cena acima descrita, um outro grupo de espectadores, ainda mais jovens, associa o som e a imagem do código de barras com um comercial de TV, de uma  popular  marca de refrigerante e, em coro, a cada vez que atriz  sadicamente se carimbava, eles diziam: aprovado. (e que se considere aqui não só o significado da palavra e se leve em conta à associação feita pelos espectadores)

 

Logo, nossa censura não pode ser a mesma daqueles que ainda carregam no seio de seus valores morais e éticos os mesmos conceitos dos censores de uma não longínqua ditadura militar. Não podemos negligenciar aqueles que talvez não sejam alunos do EJA mas sem sombra de dúvidas são alunos de uma outra escola, para muitos, menos importante, uma tal de vida.

Teatro Parabelo

Cartaz Design Gráfico: Teatro Parabelo

 

Ps: Março é o mês de aniversário do nosso blog, que seja o segundo, de muitos!  E os peões da casa própria continuam girando e ralando, logo,logo, novidades!

 

 

Por Diego Marques

15

de

novembro

2008 está terminando…

…e com ele mais um ano de trabalho do Teatro Parabelo também, um ano de muitas vitórias, alegrias, sucesso, glamour!!! (Opa, me empolguei - risos).

Iniciamos o ano sendo contemplados pelo programa VAI, que nos motivou muito, com seu patrocínio (voto de confiança). A motivação não vem apenas por isso, mas sim também por termos a chance de viver fazendo o que se tem vontade – uma luta eterna para quem faz arte.                                                              

                                

E tivemos a oportunidade de conhecer com o projeto “(Des) Montando Arrabal”, muitos parceiros, muitas pessoas que compartilham dos mesmos pensamentos que milhares de vezes passou pela cabeça de cada parabelo. Filosofar o mundo, lamentar por coisas comuns a todos, e ficar feliz por detalhes efêmeros a qualquer outro, enfim esse modo de ser louco que muitos chamam de artista.

Falo de todo esse pensamento, pois dentro do (Des) Montando Arrabal, nas oficinas, e principalmente após a apresentação da peça “Fando e Lis ou mais uma história de amor”, no debate que leva o nome de “O que eu entendi do que o parabelo disse?”, juntamos as nossas cabeças com a do público, e tudo aquilo que fez a nossa cabeça “rachar” no ano anterior, no processo de criação da peça, se multiplicou. A nova operadora “Fando e Lis” desbloquearam alguns por ai. O nosso chip já está conectado e funcionando, seja com um ótimo sinal, ou com um sinal que vive fora de área. E o mais legal: estamos nos comunicando com mais gente por ai. (”desbloquearam” que audácia…hehe)

                                

Nesse ano foi inaugurada a rede de grupos “Chegança – teatro de norte a sul”. É certo que temos companheiros e companheiras que querem trabalhar conosco. A intenção foi de formar público, formar cidadãos, formar indivíduos pensantes, e se possível praticantes também. Claro que usar o caminho do teatro para esta conquista, é a nossa crença, mas que somos fiéis batalhadores por esta causa.

Também neste ano, estivemos em temporada na Casa Brasil de Pirituba, e no Tendal da Lapa, além da parceria com o projeto vocacional, onde participamos da Virada Cultural, do III Festival do Vocacional, do Toda terça tem teatro, onde fomos chamados depois para o melhor do Toda terça tem teatro no CCJ, além dos debates oferecidos pelo próprio grupo em janeiro - Debatendo Arrabal.

                                

Gostaria de terminar esse texto agradecendo a todos que participaram do projeto (Des) Montando Arrabal, seja nas oficinas, na peça, no debate, na exposição, e também aos responsáveis em liberar os espaços de realização dessas ações.
Também para quem acreditou e depositou confiança na Rede Chegança, que ainda é nova e esta aprendendo a dialogar em grupos por uma única causa, pelo ser humano, seja eu, ou o outro, que se encontra em qualquer canto.
Mas ainda não terminou o ano, portanto quem quiser se informar sobre as datas finais do projeto (Des) Montando Arrabal e da Mostra do Vai…

por Denilson Vendramini

Maiores informações:
E-mail: teatroparabelo@yahoo.com.br
Fotolog: http://www.fotolog.com/teatroparabelo
Orkut: http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=44119236

18

de

setembro

Mais uma história de amor

            Há um ano atrás no teatro Clementina de Jesus (CEU Vila Atlântica) Fando e Lis subiram pela primeira vez ao palco. Como bem disse Fernando Peixoto, o ensaio havia começado, uma vez que a pedra fundamental havia chegado – o Público.

Nos últimos 365 dias circulamos pelos quatro cantos dessa metrópole, no sentido bairro-centro-bairro, em uma cadeira de rodas em busca de uma cidade maravilhosa cujo nome, agora, pouco importa.

Pois, nada foi mais importante do que dividirmos, cena a cena, nossas questões com um público que sempre nos trouxe mais perguntas do que respostas.

Provavelmente foram essas perguntas que nos moveram ao eterno construir e fazer manutenção de cada cena, colocando nosso produto artístico sempre em processo o que se tornou característico do nosso fazer teatral.

                                             

                  

                                          
Dessa forma, pudemos experimentar a linguagem aúdio visual, e até mesmo, consolidar um antigo flerte: o teatro de rua.

Um ano depois, Fando e Lis transformou-se numa montagem capaz de dialogar com espaços convencionais ou não, nos permitindo ir ao encontro do público, com muita música, cantada e tocada ao vivo! Outra vontade tornada realidade.

Um ano depois nós ainda nos fazemos as mesmas perguntas, que um dia, deram origem a essa montagem – para onde vamos? Como vamos? Com quem vamos? Como nos relacionamos no e com o nosso tempo-espaço? À essas questões, estamos certos, de que ganhamos alguns cúmplices.

Um ano depois continuamos escrevendo Fando e Lis ou Mais uma história de amor.

Para onde vamos agora? Quem viver e sentir, mais uma vez, verá!

Ps: quer acompanhar ao (Des) Montando Arrabal? Acesse: www.fotolog.com/teatroparabelo

5

de

julho

(Des) Montando Arrabal

  O Teatro Parabelo tem prazer em apresenta-los o nosso novo projeto: (Des) Montando Arrabal.

Em Março de 2008 o Teatro Parabelo teve o projeto (Des) Montando Arrabal aprovado pelo Programa de valorização de iniciativas culturais (VAI) da Secretária Municipal de Cultura.

(Des)Montando Arrabal é um projeto multidisciplinar de caráter artístico-pedagógico, e tem como perspectiva a desconstrução do espetáculo “Fando e Lis”, adaptação realizada pelo Teatro Parabelo do texto do dramaturgo espanhol Fernando Arrabal, traduzido por Wilson Coelho, através das seguintes ações:

•Exposição: “Sou Parabelo, Parabelo sobre a terra” composta por registros do histórico do Teatro Parabelo.

•Oficinas de desmontagem do espetáculo Fando e Lís: “De Arrabal a Boal: a poética do oprimido na reescrita da cena.”, “Obrofagia: a performance como recurso na construção da cena”, “Uma nova em mídia em cena: corpo, comunicação e Clown” e “Decadência e elegância: pesquisa e criação em figurino e maquiagem”

•Espetáculo: Apresentação do espetáculo “Fando e Lís” adaptação realizada pelo Teatro Parabelo do texto do dramaturgo espanhol Fernando Arrabal, traduzido por Wilson Coelho.

•Debate:“O que eu entendi do que o Parabelo disse?” abrirá, logo após a apresentação do espetáculo, espaço para o contato humano através do diálogo e da vivência artística.

O projeto (Des) Montando Arrabal irá circular pelos seguintes espaços da zona noreste de São Paulo: CEU Vila Atlântica, Casa Brasil, CEU Pera Marmelo, Tendal Da Lapa, CEU Paz, Biblioteca Mario Schemberg, CEU Perus e Casa de Cultura Salvador Ligabué.

(Des)Montando Arrabal terá duração de 8 meses (Maio a Dezembro de 2008) e tem orçamento de R$ 18.096,93.

Para acompanhar o desenvolvimento do projeto, e para descobrir se ele passará por algum lugar perto de você, acesse:
http://www.fotolog.com/teatroparabelo

Este post também é uma maneira de agradecer as pessoas que acreditam nesse trabalho, dedicando-se a ele de coração aberto: Adriana Rodrigues, Victor Hugo de  Freitas, Dirceu Vendramini, Rodrigo Teles, CEU Vila Atlântica, Teatro Vocacional e especialmente para a Denise Rachel. Nosso muito obrigado!

Arquivado em: Em cena. I Comentários (5)

4

de

maio

Encontros e Despedidas

No último dia 26 de Abril aconteceu em São Paulo a Quarta Virada Cultural. Uma das novidades dessa edição foi à criação de um espaço palco destinado ao projeto Teatro Vocacional.

                                     

      

Montado na Ladeira da Memória no Vale do Anhangabaú, esse espaço proporcionou o encontro de grupos como Bolinho de Arroz, Cia Meses, Grupo Pandora, Cia Do Outro Eu, Cia de Teatro Faces Ocultas, que na sua maioria, assim como nós, surgiram através do projeto Teatro Vocacional, e aceitaram quebrar todas as paredes e aventurar-se pelas artérias do coração da metrópole paulistana.

                                  

Em 1872, na Ladeira da Memória transitavam, cavaleiros, tropas de burros, carros de boi. Mais de um século depois, na mesma ladeira, circulam motoristas, assalariados, estudantes, ambulantes e andarilhos, mas naquela noite de Abril, circularam Macabéas, Olímpicos, Graças, Arlindas, Rosinhas, Lampiões, Irmas, Menezes, Perus, Mendigos, Cachorros Loucos, Fandos e Lises – todos crônicas do cotidiano, narradores, personas, delatores do tempo que nos cabe viver nessa metrópole. Naquela noite de Abril realidade e fantasia se confundiram.

                                 

      

E do Palco da Ladeira da Memória, Fando e Lis voltam à sala de ensaio. Como se a borboleta retornasse ao casulo para voltar a ser lagarta, Fando e Lís refaz seu percurso para se re-inventar.
É um vôo de partida com data e hora de retorno marcada. Fando e Lís reestréia no dia 05/07/2008 às 16 horas no CEU Vila Atlântica quando damos inicio a circulação do projeto  (Des)Montando Arrabal aprovado pelo Programa para Valorização de Iniciativas Culturais - VAI.  Quem sentir, Verá!

            Quer Saber mais sobre o (Des) Montando Arrabal?       Acesse:http://www.fotolog.com/teatroparabelo

2

de

março

Grupo de teatro tem inferno astral?

365 dias, 3.272 vistas e 1 peça depois, o que era 5 virou 6, e já virou 5 novamente. O Blog completa um ano, um mês antes do Teatro Parabelo completar três.

Nesses três anos, acima de tudo nesse último, percebemos que ser Parabelo é ser um pouco vulnerável também, e como tudo na vida, essa vulnerabilidade tem a sua dor e sua delicia.

A delicia foi, a partir dessa vulnerabilidade, perceber que as convenções capitalistas (produzir, consumir e descartar) impõem-se em nosso cotidiano, e de scrap em scrap, torpedo em torpedo, e-mail em e-mail, e outras coisinhas mais, temos nos tornados hábeis em PRODUZIR relacionamentos (mesmo que virtuais), para em seguida CONSUMIR (o outro, na mesma proporção que desejamos que ele nos consuma), para então podermos DESCARTAR, no mesmo momento em que somos descartados. Lá nos primeiros Posts , quando falávamos sobre relacionamentos afetivos na contemporaneidade, já estávamos falando sobre o eterno retorno: produzir, consumir e descartar. E Fando e Lís é a nossa ode/elegia a, acima descrita, condição/situação humana.

                                    

Agora algumas palavras sobre dor. Tem doído muito constatar que toda essa vulnerabilidade tem afetado a nossa autonomia, a ponto, de ao longo desses esses anos, o Parabelo parecer um projeto de um homem só. Ele não foi, não é, e nunca será. Descobrimos que muitas vezes a nossa inércia é motivada pela espera, de um abraço, de um aplauso. Às vezes nos falta referência. Grupo briga? grupo dicorda? grupo chora? grupo sente raiva? grupo bate? grupo apanha?

Pergunto-me se essas questões não são materiais para um novo processo, onde possamos, fazer dessa espera (por algo/alguém) uma busca. E, nesses tempos de crise, não resta mais nada a dizer a não ser Feliz aniversário ao Blog.

Ps: Mesmo em tempos de crise, tem temporada do Teatro Parabelo!

Para quem não viu essa é a sua chance, para quem quer ver de novo, venha assistir as nossas novas cenas (Work in Progress).

Temporada Fando e Lís (Em obras) no Tendal Da Lapa
Rua Constança, 072 Lapa
Entrada Franca - 60 lugares

De 14 de Março a 04 de Abril!
Sempre as sextas feiras às 20:30

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