Teatro Parabelo

Teatro Pirituba Grupo Espaço Intervenção Sonho Ação Resistência Cultura

1

de

fevereiro

O sonho da casa própria

Saulo Ferreira

Foto:Saulo Ferreira

 Provisória ou fixa, uma sede dá a chance para os atores se integrarem, dividirem figurinos, palco, luzes e discussões. Um espaço próprio ajuda também a formar um público e permitir o envolvimento da companhia na busca por uma identidade de linguagem e estética. Esse é o sonho de muitos artistas, mas poucos realmente conseguem concretizá-lo. Mesmo assim, apesar da política cultural ser complicada no país, eles têm lutado para reafirmar a importância da criação de um ambiente de trabalho. 
                                   Por Natália Marques em reportagem para o Site UOL

                                              

 Não preciso dizer que a reportagem citada acima caiu como uma luva para o Teatro Parabelo, pois, desde o final do ano passado, haviamos percebido que um espaço físico se fazia necessário para dar cabo das questões organizacionais do coletivo, uma vez que o espaço público no qual vinhamos ensaiando ao longo dos últimos dois  anos  (leia-se CEU Vila Atlântica) não dá conta do armazanamento do material de todos os artistas que produzem em suas dependências.

 Assim sendo, começamos a nos questionarmos a respeito da utilidade de um espaço que serveria, a priori, apenas para acomodar as nossas quinquilharias. Depois de muito remoermos a questão, nos parecia claro que, para fazer jus ao seu cu$$$to benefício, este lugar também deveria servir de espaço para ensaio.

 Porém, novamente nos vimos numa encruzilhada : não nos parecia sábio abrir mão de um espaço onde vinhamos construíndo um trabalho de formação de público e platéia (através de peças, debates, exposições, intervenções e oficinas ) cujo qual já podemos perceber os singelos, porém, bonitos e eficazes resultados. 

 Em contrapartida, a possibilidade de administrar um espaço onde possamos nos engajar para a oferta não só de espetáculos teatrais, mas também, de um espaço para a pesquisa e a reflexão acerca do fazer teatral, parece fazer jus a nosso perfil, já ressaltado, de agentes culturais (”vocês são péssimos artistas! mas ótimos agentes culturais..”, ouvimos certa vez. risos.)

  Além disso, um espaço também ofereceria mais praticidade e flexibilidade para os ensaios do Teatro Parabelo, algo importante para um coletivo cujo atual formação foi recentmente ameaçada pelas cobranças de um sistema que, muitas vezes, não nos deixa outra alternativa de sobrevivência senão a dita ‘inserção’ no mercado formal de trabalho - e é claro que estou falando aqui de jovens na faixa dos 20 anos, moradores da periferia do principal centro mercantil da América Latina, caso contrário, longe de nós trabalharmos 8 horas por dia (quando arrumamos emprego) para pagarmos o curso de artes cênicas a noite (sim, eu sei existe Prouni, USP, e blá, blá,blá mas quem vai pagar as contas aqui em casa?) e agora - tchã tchã tchã - também o aluguel de um espaço!

É por essas, e outras, que ainda nos encontramos nessa angústia entre o espaço público e o privado, ops, quis dizer locado. risos.

Mas vale ressaltar, que, desse qui pro có inaugural de 2009, já pudemos tirar algumas boas conclusões, à saber:

 1 - Ensaiar num espaço locado com todas as suas regalias não significa, necessariamente, abrir mão do trabalho inciado no CEU Vila Atlântica - tanto é que nosso próximo processo criativo se desenvolverá lá em conjunto da comunidade do entorno.

2 - Locar um espaço nos traz a possibilidade de ampliar esse trabalho de formação de público e platéia dentro do bairro, além de possibilitar que possamos pesquisar e experimetar teatro de maneira mais autônoma e emancipada, uma vez que não teremos nenhuma restrição de horário, material, etc.

3 - Diante do contexto histórico e social, infelizmente, é natural que tenhamos que desembolsar ( o que ainda nem foi embolsado!) para financiar os nossos projetos, mas o que nos acalenta é que, talvez, inciativas como essa possam inspirar aqueles que lutarão para com que a arte e a cultura sejam direitos não só constituicionalizados, mas acima de tudo, assegurados e usufruídos.

 Dessa maneira ….  locamos ?!?!

Por Diego Marques

4

de

janeiro

Trilogia da Emancipação: a dramaturgia do Teatro Parabelo

 Ao lançar um olhar sob a dramaturgia do Teatro Parabelo, me deparo com um fato um tanto quanto revelador sobre o teatro que fizemos - e que, a curto prazo, continuaremos a fazer.

 Desde quando eramos Ladrões de Foco, na criação coletiva “As Aventuras de Alipio em Busca de Claudete Bernadete” (2003), até nosso último texto, “Fando e Lis ou Mais uma História de Amor”  (2007), uma livre adaptação da peça de Fernando Arrabal, posso observar uma temática constante e latente no seio da nossa dramaturgia.   

Saulo Ferreira

Ladrões de Foco (2004) foto: Saulo Ferreira

Seja quando narramos a história de um mineirinho que deixa o interior de Minas Gerais rumo a Rede de Televisão, ou quando, em “Chico Tristeza” (2005),  encenamos a saga de um menino em busca do pai no sertão ou, mais recentemente, quando mostramos um casal que busca uma maravilhosa cidade perdida, percebo, numa perspectiva mais profunda, que estavamos, de modos diferentes, manifestando algo sempre similar.

  Entendo que mais que procurar, buscar, desbravar, essas personagens eram  constantemente movidas por um intenso desejo de emancipação.

    Num momento das imposições dos meios de comunicações ao cotidiano, em outro das influências da seca sob as famílias sertanejas e, por último, da penetração e da perpetuação da lógica do mercado nos relaciomentos afetivos, nossa dramaturgia frequentemente aponta um anseio por indepedência nos mais diferentes aspectos.

Elizabeth Susan

Chico Tristeza (2005) Foto:Elizabeth Susan

     Entretanto, essa busca por emancipação sempre se dá  por meio da negação daquilo que não queriamos - o discurso do mercado proferido pelas mídias, a secularidade da seca no âmago das familias nordestinas a reprodução inconsciente das leis do mercado em nossos relacionamentos afetivos. Ou seja, o que nós não queremos sempre me pareceu claro, mas, afinal: E o que queremos?  Se é que queremos.

  O fato é que esse questionamento tem sido fonte de muitas das recentes discussões do Teatro Parabelo, não só no âmbito do fazer artistíco, mas sobretudo no âmbito de ser  artista. Essa inquietação vem sempre imbuída da idéia de um lugar, seja ele material, espiritual, emocional e mesmo artístico, como por exemplo: Qual é o meu lugar no grupo nesse processo? Precisamos alugar um espaço para depositarmos nosso material? seria esse também um espaço para ensaio?  Que comunidade é essa para quem fazemos teatro?

Saulo Ferreira

Fando e Lis (2008) Foto: Saulo Ferreira

      São questões como essas que tem nos movido a tentar um fazer teatral cada vez mais independente de nossas racionalizações estéticas e burocráticas, emancipado da letárgia e do coorporativismo do funcionalismo público, num esforço contante de nos distanciarmos das imposições do mercado que, por vezes, faz nosssa existência  parecer,por si só, utópica.

     O desejo é que o teatro nos sirva de realejo, através do qual, nós mesmos possamos inventar a nossa sorte, nosso destino - além de milhares, de centenas,  de dezenas de outras histórias.

Por Diego Marques

20

de

dezembro

Ode a Adélia

(Alana saí da sala multi-uso do CEU Paz)

Ator-Integrante – Já vai?

Alana – Já!

Ator- integrante – Não gostou da oficina?

Alana –Tá legal! Mas eu tô com fome vô almoçar…

Ator-Integrante – Ah Ta!…

 (Alana saí saltitante, em seguida da meia e volta e retorna)

 Alana – Tio?

Ator-Integrante- Oi?

Alana – Quando eu terminar de almoçar posso voltar pra oficina?

Ator-integrante – Ixi,faltam quinze minutos pra acabar!

Alana- Ah! Então é melhor eu ficar!

      Diálogo entre Diego, ator-integrante do Teatro Parabelo e Alana participante da oficina de Clown no CEU Paz, Brasilândia Novembro/2008

Denilson vendramini

Caderno (Des)Montado Arrabal foto: Denilson vendramini

 

 

 

No último dia 14 de Dezembro o Teatro Parabelo lançou o caderno (Des)Montando Arrabal. Numa tiragem limitada o caderno se propõe a ser mais que um registro do projeto, a publicação faz uma reflexão a partir de imagens, fatos e relatos sobre o impacto das ações não só nas comunidades e nos espaços públicos por onde passou, mas principalmente na maneira de pensar e fazer teatro do coletivo.

Na tentativa de sintetizar o que o projeto (Des)montando Arrabal proporcionou para o Teatro Parabelo, aos Espaços Públicos e as suas platéias, cito uma escritora brasileira e ouso fazer dessas minhas palavras:

“Não Quero Faca, Nem Queijo. Quero a Fome!”

 Adélia Prado

Por Diego Marques

15

de

novembro

2008 está terminando…

…e com ele mais um ano de trabalho do Teatro Parabelo também, um ano de muitas vitórias, alegrias, sucesso, glamour!!! (Opa, me empolguei - risos).

Iniciamos o ano sendo contemplados pelo programa VAI, que nos motivou muito, com seu patrocínio (voto de confiança). A motivação não vem apenas por isso, mas sim também por termos a chance de viver fazendo o que se tem vontade – uma luta eterna para quem faz arte.                                                              

                                

E tivemos a oportunidade de conhecer com o projeto “(Des) Montando Arrabal”, muitos parceiros, muitas pessoas que compartilham dos mesmos pensamentos que milhares de vezes passou pela cabeça de cada parabelo. Filosofar o mundo, lamentar por coisas comuns a todos, e ficar feliz por detalhes efêmeros a qualquer outro, enfim esse modo de ser louco que muitos chamam de artista.

Falo de todo esse pensamento, pois dentro do (Des) Montando Arrabal, nas oficinas, e principalmente após a apresentação da peça “Fando e Lis ou mais uma história de amor”, no debate que leva o nome de “O que eu entendi do que o parabelo disse?”, juntamos as nossas cabeças com a do público, e tudo aquilo que fez a nossa cabeça “rachar” no ano anterior, no processo de criação da peça, se multiplicou. A nova operadora “Fando e Lis” desbloquearam alguns por ai. O nosso chip já está conectado e funcionando, seja com um ótimo sinal, ou com um sinal que vive fora de área. E o mais legal: estamos nos comunicando com mais gente por ai. (”desbloquearam” que audácia…hehe)

                                

Nesse ano foi inaugurada a rede de grupos “Chegança – teatro de norte a sul”. É certo que temos companheiros e companheiras que querem trabalhar conosco. A intenção foi de formar público, formar cidadãos, formar indivíduos pensantes, e se possível praticantes também. Claro que usar o caminho do teatro para esta conquista, é a nossa crença, mas que somos fiéis batalhadores por esta causa.

Também neste ano, estivemos em temporada na Casa Brasil de Pirituba, e no Tendal da Lapa, além da parceria com o projeto vocacional, onde participamos da Virada Cultural, do III Festival do Vocacional, do Toda terça tem teatro, onde fomos chamados depois para o melhor do Toda terça tem teatro no CCJ, além dos debates oferecidos pelo próprio grupo em janeiro - Debatendo Arrabal.

                                

Gostaria de terminar esse texto agradecendo a todos que participaram do projeto (Des) Montando Arrabal, seja nas oficinas, na peça, no debate, na exposição, e também aos responsáveis em liberar os espaços de realização dessas ações.
Também para quem acreditou e depositou confiança na Rede Chegança, que ainda é nova e esta aprendendo a dialogar em grupos por uma única causa, pelo ser humano, seja eu, ou o outro, que se encontra em qualquer canto.
Mas ainda não terminou o ano, portanto quem quiser se informar sobre as datas finais do projeto (Des) Montando Arrabal e da Mostra do Vai…

por Denilson Vendramini

Maiores informações:
E-mail: teatroparabelo@yahoo.com.br
Fotolog: http://www.fotolog.com/teatroparabelo
Orkut: http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=44119236

18

de

setembro

Mais uma história de amor

            Há um ano atrás no teatro Clementina de Jesus (CEU Vila Atlântica) Fando e Lis subiram pela primeira vez ao palco. Como bem disse Fernando Peixoto, o ensaio havia começado, uma vez que a pedra fundamental havia chegado – o Público.

Nos últimos 365 dias circulamos pelos quatro cantos dessa metrópole, no sentido bairro-centro-bairro, em uma cadeira de rodas em busca de uma cidade maravilhosa cujo nome, agora, pouco importa.

Pois, nada foi mais importante do que dividirmos, cena a cena, nossas questões com um público que sempre nos trouxe mais perguntas do que respostas.

Provavelmente foram essas perguntas que nos moveram ao eterno construir e fazer manutenção de cada cena, colocando nosso produto artístico sempre em processo o que se tornou característico do nosso fazer teatral.

                                             

                  

                                          
Dessa forma, pudemos experimentar a linguagem aúdio visual, e até mesmo, consolidar um antigo flerte: o teatro de rua.

Um ano depois, Fando e Lis transformou-se numa montagem capaz de dialogar com espaços convencionais ou não, nos permitindo ir ao encontro do público, com muita música, cantada e tocada ao vivo! Outra vontade tornada realidade.

Um ano depois nós ainda nos fazemos as mesmas perguntas, que um dia, deram origem a essa montagem – para onde vamos? Como vamos? Com quem vamos? Como nos relacionamos no e com o nosso tempo-espaço? À essas questões, estamos certos, de que ganhamos alguns cúmplices.

Um ano depois continuamos escrevendo Fando e Lis ou Mais uma história de amor.

Para onde vamos agora? Quem viver e sentir, mais uma vez, verá!

Ps: quer acompanhar ao (Des) Montando Arrabal? Acesse: www.fotolog.com/teatroparabelo

8

de

junho

Revisitando o palhaço ou caça aos Clowns Brancos

 

Revisitar. Eis um verbo que se fez presente nos últimos tempos nos ensaios do Teatro Parabelo.

A produção para a estréia do projeto (Des)Montando Arrabal nos levou de volta ao começo de tudo. Reviver o processo criativo de Fando e Lis e poder otimizar suas potencialidades de tantas outras maneiras foi prazeiroso e dividir essa experiência com terceiros têm sido revigorante. É incrível a sensação de repetir seus passos, refazer suas pegadas e chegar aonde você (queria) quer estar.

                              

               

 Mas olhar para frente também é preciso. E para (Des)montar Arrabal, estamos (Re) Montando o mesmo. Graças ao apoio do Programa Para Valorização de Iniciativas Culturais - VAI, pudemos resgatar idéias que, antes, mostraram-se impo$$ivéi$ de serem executadas. Risos. 

 Porém, tantos prazos, regras, compromissos assumidos no último ano fez sobressaltar a autocracia na nossa postura enquanto grupo. E eis que a mesma surge com dedo em riste, em toda sua forma. Filha de nossas angústias, medos, ansiedades, bloqueios, cobranças, dessa vez ,resolvemos assumir a paternidade sem meas culpas.

 Após encontrarmos a pedra fundamental de nossa autocracia, não anunciada, demos inicio a um trabalho de prevenção a mesma:  depoimentos pessoais, redefinição de horários, redivisão de funções, reformulações de projetos, etc. tudo regado a muito refresco, biscoito de chocolate e gargalhadas - porque a gente caga regra, mas se diverte. Está instaurada a Terapia de Choque.

Tudo isso para que as influências desse mundão de bispa sônia, George Bush, Silvio Santos e cia. ilimitada exerçam a menor influência possivél sobre um trabalho feito com muito suor, neurônio, saliva, afeto e, para espanto de muitos, ( por enquanto ou ainda) sem fins lucrativos.

                                  

 Em suma: na busca da autonomia encontramos a senhora autocracia. E por mais que ela traga vantagens efêmeras e supérfluas, cansa cobrar todo mundo sempre pelas mesmas coisas. Deixemos esse serviço para o SPC/Serasa.

O exercicio agora é exercer a autonomia (individual e coletiva) na (Re)construção de novas relações de parcerias com nosso infinito particular e com o universo ao nosso redor. É tempo de voltar a colaborar!

     

 

 E para voltar a colaborar o Teatro Parabelo reafirma sua relação de parceria com os projetos Teatro e Dança Vocacional, com nosso diretor musical Victor Hugo de Freitas, com nosso dramaturgista honorário Jucenberg Nascimento, com nosso público cadeira cativa, produtor, preprador fisico, irmão e cobaia Dirceu Vendramini, na busca do diálogo com os mesmos, sem medo de dizer e/ou ouvir não.

              

 

 E de volta ao básico, a idéia agora é tirar a Violla (Spolin) do saco, e reviver os dias de ladrão de foco (leia-se dias de jogo, de improvisação, e de muita fanfarronice), e no cardápio ainda temos Laban de entrada e Teatro Épico de sobremesa .

Eis o Homotéspis: o ator como lugar do advento teatral, nosso novo-velho projeto como prato principal. E como já diz uma filosofa baiana: alegria agora. agora e amanhã, alegria agora e depois e depois e depois de amanhã.

4

de

maio

Encontros e Despedidas

No último dia 26 de Abril aconteceu em São Paulo a Quarta Virada Cultural. Uma das novidades dessa edição foi à criação de um espaço palco destinado ao projeto Teatro Vocacional.

                                     

      

Montado na Ladeira da Memória no Vale do Anhangabaú, esse espaço proporcionou o encontro de grupos como Bolinho de Arroz, Cia Meses, Grupo Pandora, Cia Do Outro Eu, Cia de Teatro Faces Ocultas, que na sua maioria, assim como nós, surgiram através do projeto Teatro Vocacional, e aceitaram quebrar todas as paredes e aventurar-se pelas artérias do coração da metrópole paulistana.

                                  

Em 1872, na Ladeira da Memória transitavam, cavaleiros, tropas de burros, carros de boi. Mais de um século depois, na mesma ladeira, circulam motoristas, assalariados, estudantes, ambulantes e andarilhos, mas naquela noite de Abril, circularam Macabéas, Olímpicos, Graças, Arlindas, Rosinhas, Lampiões, Irmas, Menezes, Perus, Mendigos, Cachorros Loucos, Fandos e Lises – todos crônicas do cotidiano, narradores, personas, delatores do tempo que nos cabe viver nessa metrópole. Naquela noite de Abril realidade e fantasia se confundiram.

                                 

      

E do Palco da Ladeira da Memória, Fando e Lis voltam à sala de ensaio. Como se a borboleta retornasse ao casulo para voltar a ser lagarta, Fando e Lís refaz seu percurso para se re-inventar.
É um vôo de partida com data e hora de retorno marcada. Fando e Lís reestréia no dia 05/07/2008 às 16 horas no CEU Vila Atlântica quando damos inicio a circulação do projeto  (Des)Montando Arrabal aprovado pelo Programa para Valorização de Iniciativas Culturais - VAI.  Quem sentir, Verá!

            Quer Saber mais sobre o (Des) Montando Arrabal?       Acesse:http://www.fotolog.com/teatroparabelo

12

de

abril

Upa Parabelo na estrada Upa pra lá e pra Cá

 

 ”Dizem os psicólogos que aos três anos de idade, a criança começa a andar, falar e assimilar o mundo, o Teatro Parabelo chega a esse momento” Thalita Duarte

            

    No próximo sábado (19) o Teatro Parabelo comemora seus três anos de resistência.

“Foi no Teatro Parabelo, nesses três anos, que deixei de ser criança e passei a ser adulto” Denilson vendramini

 Não foi por acaso, que Denilson Vendramini deu vida ao protagonista de nossa primeira montagem “Chico Tristeza”. A peça contava a estória de um menino contra a seca, em busca de um pai pelo sertão.

 ”Chico nos fez pensar sobre o que é necessário para o teatro de grupo existir: resistir a desmoronamentos e a tempestades. Chico é um filho que tem os genes de cada um que o criou em 2005″ Eliane Andrade.

 E depois do primeiro parto, chegou a hora de aprendermos que existia um outro parto: o de partir, portanto, se ser Parabelo é sentir o outro como parte de si mesmo, foi necessário conviver com a amputação.

 ”Antes quando existia o longe, respeito, apoio, solidariedade e vibração. De perto ao longo de um ano três meses, exercicios, preparação, seriedade, experimentos, um sonho” Rodrigo Teles

                                                   http://br.youtube.com/watch?v=Pxg9YfayoV4

  Até que chegou o tempo de colocar em prática a teoria. Transformando a rua em sala de ensaio, e transeuntes em parceiros de cena, realizamos as !ntervenções desde julho de 2007, interagindo com infinitos particulares e o universo ao nosso redor. Saindo da zona de conforto ao encontro da beleza no ridiculo de nós mesmos.

 ”Sem o outro não chegamos a Tar” Eliane Andrade

 Essa foi a lição aprendida com Fando e Lís em 2007. Em busca da maravilhosa cidade perdida, passamos por CEUS, Arthurs, Cacildas, Alfredos, Casas, Galerias e Tendais.

              

 E se ainda não chegamos a Tar, chegamos pelo menos ao VAI! o Teatro Parabelo foi contemplado pelo programa de valorização as iniciativas culturais pelo projeto (Des) Montando Arrabal que deverá circular pela zona noroeste paulistana no segundo semestre de 2008.

 E tem mais: esse mês demos inicio ao projeto ‘Homotéspis: o ator como lugar do advento teatral” através do qual ganhará vida nossa terceira montagem:  uma livre adaptação do “Homem do princípio ao fim” de Millôr  Ferndandes, sob a orientação de Jonas Golfeto e Debóra Pena, dando continuidade a nossa parceria com o Teatro Vocacional e dando inicio a outra parceria, com o Dança Vocacional.

  Muito já se resistiu, e muito está por se resistir, que esses três, virem seis, nove, doze… E que em todos eles nós possamos continuar contando com todos aqueles que acreditam ou não nesse sonho - ambos foram importantes para que ele se tornasse a nossa realidade.

 Feliz Aniversário ao Teatro Parabelo!

Ps: visitem nosso canal no Youtube!

2

de

março

Grupo de teatro tem inferno astral?

365 dias, 3.272 vistas e 1 peça depois, o que era 5 virou 6, e já virou 5 novamente. O Blog completa um ano, um mês antes do Teatro Parabelo completar três.

Nesses três anos, acima de tudo nesse último, percebemos que ser Parabelo é ser um pouco vulnerável também, e como tudo na vida, essa vulnerabilidade tem a sua dor e sua delicia.

A delicia foi, a partir dessa vulnerabilidade, perceber que as convenções capitalistas (produzir, consumir e descartar) impõem-se em nosso cotidiano, e de scrap em scrap, torpedo em torpedo, e-mail em e-mail, e outras coisinhas mais, temos nos tornados hábeis em PRODUZIR relacionamentos (mesmo que virtuais), para em seguida CONSUMIR (o outro, na mesma proporção que desejamos que ele nos consuma), para então podermos DESCARTAR, no mesmo momento em que somos descartados. Lá nos primeiros Posts , quando falávamos sobre relacionamentos afetivos na contemporaneidade, já estávamos falando sobre o eterno retorno: produzir, consumir e descartar. E Fando e Lís é a nossa ode/elegia a, acima descrita, condição/situação humana.

                                    

Agora algumas palavras sobre dor. Tem doído muito constatar que toda essa vulnerabilidade tem afetado a nossa autonomia, a ponto, de ao longo desses esses anos, o Parabelo parecer um projeto de um homem só. Ele não foi, não é, e nunca será. Descobrimos que muitas vezes a nossa inércia é motivada pela espera, de um abraço, de um aplauso. Às vezes nos falta referência. Grupo briga? grupo dicorda? grupo chora? grupo sente raiva? grupo bate? grupo apanha?

Pergunto-me se essas questões não são materiais para um novo processo, onde possamos, fazer dessa espera (por algo/alguém) uma busca. E, nesses tempos de crise, não resta mais nada a dizer a não ser Feliz aniversário ao Blog.

Ps: Mesmo em tempos de crise, tem temporada do Teatro Parabelo!

Para quem não viu essa é a sua chance, para quem quer ver de novo, venha assistir as nossas novas cenas (Work in Progress).

Temporada Fando e Lís (Em obras) no Tendal Da Lapa
Rua Constança, 072 Lapa
Entrada Franca - 60 lugares

De 14 de Março a 04 de Abril!
Sempre as sextas feiras às 20:30

7

de

dezembro

Requiém de um palhaço

                             

O Palhaço Revisitado

1

O palhaço
invento
que não se traduz
a pele em movimento
a veste
do riso nos pés
o bicho
de quem não sabe
se é susto
o que faz o palhaço
se é corda.

2

Por fora
exibe o palhaço
a corda
interna quase
o susto
não espera
o riso sempre
adianta a troça.

3.

O Palhaço
liquido
ao invento do riso
(e que se resolve
imenso
no próprio texto)
é o aumento do bicho
somente o bicho
é armação firme.

4.

Enfim o palhaço
pode ser quatro
que se recorta
se o riso inventa
se aumenta o bicho
se é justa a corda
se tudo é texto
e se ri mesmo
da própria troça 

               
TEATRO PARABELO APRESENTA: ” FANDO E LIS”

ONDE: CASA BRASIL- AV. MUTINGA Nº1425 ( ao lado da biblioteca brito broca, e em frente ao Carrefour) PIRITUBA

QUANDO: DIAS 07, 14 E 21/12 , AS 20HS - SEXTAS-FEIRAS

QUANTO: GRATUITO
                              

                                              

 

                                                                           Feliz Natal e Feliz Ano Novo!

                                                                                      Teatro Parabelo

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