Teatro Parabelo

Teatro Pirituba Grupo Espaço Intervenção Sonho Ação Resistência Cultura

15

de

outubro

Ultrassom

Pelos nossos mecanismos de ultrassom (risos): Canal do Youtube, comunidade no Orkut, e blog do Teatro Parabelo, e mesmo ao vivo e à cores, nas mostras de processo, pode-se ter uma idéia de a quantas andam o processo criativo de “Somos o que fomos desfeitos no que éramos, sem jamais chegar a ser o que quiséramos”,com estréia prevista para Dezembro de 2009. Duas performances foram criadas: “Saloá: Desova das Mágoas” e “Jaraguá: Senhora das Utopias”, a última, apresentada recentemente em mais duas mostras de processo:

22 de Setembro no Sarau do Elo da Corrente - onde tivemos uma troca verdadeira, “Teatro Parabelo da Corrente”, título esse extraído do texto do Michel, no blog do Elo da Corrente, e que nos alegrou o coração, não só pelo momento de troca, mas pelas palavras que vieram a fortalecer ainda mais o elo entre os dois coletivos:

“Foi uma união entre Teatro Parabelodacorrente, assim mesmo, em que podemos conferir e construir parte do processo do projeto “Realejo, o lugar que desejo” que os irmãos do Teatro Parabelo nos presentearam no bar do Santista. A mostra tem como base uma performance que envolve um totem indigena, representado pela atriz Eliane, em que o lugar que desejamos era possivel ser escrito no seu corpo. Um momento de sabor diferente, em que quebramos barreiras de pudores e preconceitos, da experimentação da arte viva e mutavel, do respeito, da força e fragilidade das relações, enfim, um transbordar de sentimentos. Ao final aconteceu uma troca firmeza de conhecimento e alimento, que fortaleceu demais nossa caminhada.”

Palavras de um poeta que assim como nós, resiste fazendo arte na periferia de São Paulo. 

 

 

 

Senhora das Utopias" no Sarau Elo da Corrente

Performance "Jaraguá: Senhora das Utopias" no Sarau Elo da Corrente

26 de Setembro na Vilada Cultural: Vila Itororó- 80 anos – Resistência

O Teatro Parabelo esteve presente nesse evento, que foi mais do que uma simples comemoração: uma manifestação de resistência por parte dos moradores da Vila, que receberam um comunicado, e várias alternativas para desocuparem a vila, em prol de uma “revitalização”, a idéia é transformar a vila em um Centro Cultural, porém os moradores alegam não ser necessária a desocupação das casas uma vez que eles mesmos já organizam atividades culturais na vila regularmente.

A revitalização é apenas uma desculpa para expulsar os moradores, porque eles não têm condições de bancar novo imóvel. O governo oferece aos moradores “cartas-crédito” (uma com o nome irônico de “vale-coxinha”) mas se eles dependerem dessas cartas crédito, estarão literalmente na rua. E o Teatro Parabelo apoiando esse movimento de resistência dos moradores da Vila Itororó, apresentou a performance “Jaraguá: Senhora das Utopias”, onde os mesmos puderam deixar registradas suas utopias, sendo que alguns fizeram jus a manifestação e deixaram registrado o Lugar que desejam: AQUI (a Vila Itororó). 

Senhora das Utopias" na Vilada Cultural

Performance "Jaraguá: Senhora das Utopias" na Vilada Cultural

 

E por falar em utopias, o “Pé de Utopias”, instalação criada pelo Teatro Parabelo, estará na Exposição Vertigens Urbanas de 16/10 a 15/11 na Galeria Olido.

Esta exposição traz Coletivos das periferias da cidade de São Paulo, contemplados pelo Programa para a Valorização de Iniciativas Culturais – VAI, em uma composição vertiginosa de suas obras no espaço da Galeria.

 

Na abertura da exposição realizaremos a performance “Jaraguá: Senhora das Utopias” – 16 de Outubro às 19h.

 

Venham conferir nosso ultrassom.

 

Eliane e Thalita

 

 

 
 
 
 
 

 

 
 

 
 
 
 
 
 

 

 

1

de

setembro

Parabelo: em busca da Terra sem Males

 Os guaranis saíram do Sul do Brasil, percorreram a costa litorânea brasileira em busca da Terra sem Males. Assim como nós Parabelos, eles buscavam um lugar melhor, uma Terra sem Males, parecida com a nossa Tar. Lá as pessoas não envelhecem, nem morrem e não há o sofrimento. Eu vejo a arte como meio para chegar lá. Ou mesmo para inventar esse lugar. Os guaranis a encontraram na região do Jaraguá. Foi uma Terra sem Males, por pouco tempo. Nós ainda estamos em busca. Estamos inventando esse lugar. Vejo o paradoxo que existe em nossa região, entre o natural e tecnológico. Tudo por conseqüência do homem branco, que logo tratou de dividir a Terra sem Males, vendê-la e povoá-la desenfreadamente. Expulsando,explorando, matando e deixando quase sem terra aqueles que aqui vieram primeiramente buscá-la, os índios. Que agora sobrevivem em terras doadas, protegidas pelas leis dos brancos, mendigando os frutos da terra. 

 

Placa na trilha do Pico do Jaraguá
Placa na trilha do Pico do Jaraguá

 

 

 

 

  Fico pensando: Quantos ritos foram quebrados? Quais eram esses ritos? Por quais ritos teremos que passar?

 Qual o inimigo a ser devorado? A estagnação? A dor? O sofrimento? A desigualdade? O preconceito? A ansiedade? A solidão? O ódio? A indiferença? A automação? A saída? O esquecimento?

   Estamos inventando um lugar a se chegar. Onde todos nós poderemos pensar: onde é minha Terra sem Males? O que eu terei que fazer para chegar lá? Até chegarmos a Revelação, ainda há uma trilha a ser desbravada.

 

 Enquanto isso, vemos a torre brilhar, no lugar dos vagalumes.

Antena do Pico do Jaraguá ao anoitecer

Antena do Pico do Jaraguá ao anoitecer

 

                                                       Eliane Andrade

 

8

de

julho

Resumo da Ópera

Ensaios de Dramaturgia

por Denilson Vendramini e Diego Marques

Ensaio de Dramaturgia Biblioteca Brito Broca 21/06

Ensaio de Dramaturgia Biblioteca Brito Broca 21/06

Durante o mês de Junho o Teatro Parabelo parou para pensar sobre o lugar que deseja. Através dos jogos de escrita, percebemos que optamos pela via negativa ao escrevermos quase que predominantemente sobre o lugar que não desejamos estar, esse por sua vez, se assemelha bastante com os contornos caóticos que dão forma a metrópole paulistana.

Ao longo dos ensaios de dramaturgia, coordenados rotativamente por integrantes do grupo, contamos com a presença de usuários da Biblioteca Brito Broca, local em que os ensaios foram realizados.

A dramaturgia que emergiu desses encontros revelaram textos imagéticos, não lineares, fragmentados que nos apontam novas possibilidades para interagir com o verbo em cena, acrescentando novas influências ao nosso cesto de referências, dentre as quais vale a pena destacar o cineasta norte-americano David Lynch cujo linguagem converge com a próxima etapa do processo, momento em que vamos nos voltar ao entorno do Espaço Teatro Parabelo, lançando mão da linguagem audiovisual.

Ensaios de Interpretação

por Eliane Andrade

Ensaios de Dramaturgia  Biblioteca Brito Broca 20/06

Ensaios de Dramaturgia Biblioteca Brito Broca 20/06

Após os ensaios de dramaturgia, estudamos o conceito de mímeses corpórea desenvolvido pelo grupo LUME, que consiste na observação de pessoas , objetos, imagens e animais com o objetivo de recriá-los no trabalho de interpretação e criação de personagens.

Em contraponto ao “corpo subjétil” (corpo recriado pelos atores através das observações propostas pelo LUME) encontramos o “corpo real” utilizado no processo criativo de Pina Bausch, que consiste no corpo do artista exprimindo suas emoções e vivencias pessoais através de movimento, que não buscam a interpretação.

Chegamos ao consenso de que o “corpo real’ será mais interessante no nosso processo criativo, porque o mesmo se aproxima de nossa linha de pesquisa em corpo não interpretativo.

Na próxima fase do projeto ” O Lugar que encontro” serão criadas performances ou cenas performáticas, desenvolvidas junto aos moradores do entorno do Espaço Teatro Parabelo, procurando assim somar o Lugar que eles desejam ao nosso. Arte Viva!

18

de

maio

Desemformance

Desemformance (Espaço Teatro Parabelo)

Desemformance (Espaço Teatro Parabelo)

 

 

 

No último sabádo aconteceu o Desemformance, um encontro de perfomance no Espaço Teatro Parabelo através do qual pudemos dialogar com a linguagem que tem contaminado o projeto de pesquisa Experimentos – processo para autonomia criativa do ator. O projeto tem  como ponto de partida o experimento cênico “Abatedouro”  por meio do qual levantamos conceitos que serão aprofundados ao longo dessa pesquisa.

        

IMPRESSOS

 

A morte pela rotina

A potência da máquina

A Fragilidade humana

Take it da minha cara

Desemformance (Espaço Teatro Parabelo)

Desemformance (Espaço Teatro Parabelo)

 

 

 

Briga pela dominação

A corda caiu

A Gravata é a corda

Ele é seu escravo agora

Ele é o seu bichinho

Desemformance (Espaço Teatro Parabelo)

Desemformance (Espaço Teatro Parabelo)

 

 

 

Continuação da alienação

A falta da identidade

Anulação

Pela Rua

Na sarjeta

Medo

Desafio

Desemformance (Espaço Teatro Parabelo)

Desemformance (Espaço Teatro Parabelo)

 

 

 

Reação

Compre-me

Estou a venda

Pegue meu telefone

 

ELIANE ANDRADE

Desemformance (Espaço Teatro Parabelo)

Desemformance (Espaço Teatro Parabelo)

 

 

 

Desemformance (Espaço Teatro Parabelo)

Desemformance (Espaço Teatro Parabelo)

     

Pavimento = Estrada = Bifurcações

 

 

Dionisíaco x Apolíneo. Corpo Real x Corpo Social. Interpretação x Não Interpretação. Apresentação x Acontecimento. Palco x Rua. Espectador x Experimentador. Ator x Performer. Verbo x Imagem. Estudo x Pesquisa. Corpo Natural x Corpo Cultural.

 

Pavimento = Estrada = Bifurcações

 

Desemformance (Espaço Teatro Parabelo)

Desemformance (Espaço Teatro Parabelo)

12

de

maio

Sobre o lugar que desejo

Sobre o lugar que desejo

 

 

Lugar buscado.

Lugar desejado ,

Lugar que buscamos ser alcançado.

 

Nosso Parabelo, nosso espaço. Aqui fazemos nossa sorte, que ninguém pode fazer por nós,  a não ser nós mesmos.

Eliane Andrade

Eliane Andrade

 

 

Em quatro anos de Teatro Parabelo , essa é a segunda vez em que somos contemplados pelo VAI (Programa para Valorização as Iniciativas Culturais).  Conquistas como essas são motivadoras! É como se um filme passasse rapidamente, e visse o que planejávamos anos ou meses antes, e hoje vejo que  realidade chegou , não por mágica, mas por escolhas que fizemos -somos um grupo de Pirituba, temos um espaço onde podemos trocar idéias, dialogar com outras realidades, outros coletivos, outras pessoas e não no sentido de sermos catequisadores, mas sim de trocarmos e discutirmos inquietações artísticas. Nosso lugar desejado. E  com o apoio do VAI, vejo que cada vez mais estou perto de ver o lugar que desejo: ver todos os que tem vontade de dizer algo, os lugares públicos sendo ocupados por gente tem desejo de compartilhar a história de seu lugar e transformá-la em arte ou vê-la por meio da arte. Ver todas nossas dimensões humanas sendo trabalhadas: nossos pensamentos, nossas crenças, sentimentos, e sensações.

 

Estou ansiosa por criar,por conhecer novos rostos, por trocar vivências com a  comunidade do Jardim Nardini, de conhecer sua história, e tê-la eternizada não só em memória, mas em forma de arte e expressão.

 

É isso que espero deste projeto, que nos apropriemos de nosso lugar. E cheguemos mais perto do lugar que desejamos.

 

 Eliane Andrade.

 

Ps: Em breve mais informações sobre Realejo - O Lugar Que desejo, o novo projeto de montagem do Teatro Parabelo.

 

 

6

de

maio

O Que Eu Entendi Do Que O Parabelo Disse?

No último dia 24 de Abril, finalizamos a temporada do projeto “O que eu entendi do que o Parabelo disse?” no CEU Vila Atlântica. Ao longo do mês de abril foram realizadas 3 apresentações, com média de público de 20 a 40 pessoas cada.

Divulgação do projeto.

Programa - Cartaz: Divulgação do projeto.

 

 

Durante toda a temporada houve participação maciça dos usuários mais assíduos do CEU: As Crianças, tanto que no final do projeto algumas delas que assistiram a todas as apresentações, explicavam as regras do debate ao restante do público. Isso nos fez lembrar que em outras apresentações de “Fando e Lis – ou Mais uma História de Amor” foi imposto pela Gestão Cultural do CEU Vila Atlântica uma censura de 14 anos, mas que dessa vez – devido à ausência do CEU no acompanhamento do projeto – não houve censura, uma vez que entendemos que as cenas de violência e semi nudez apresentadas na peça não estão distantes da realidade dessas crianças.

 

A Gestão Cultural do CEU Vila Atlântica manteve-se distante da execução do projeto. Tínhamos contato apenas com o segurança que abria o espaço e o técnico de iluminação que sempre trazia a mesa de luz. Tal ausência se evidenciou na última apresentação quando algumas pessoas chegaram um pouco antes do horário, e teriam ficado na chuva, não fosse a preocupação de uma integrante do grupo em resolver o problema e acompanhá-los até uma área semi coberta, uma vez que não havia nenhum segurança próximo e a porta do Foyer estava trancada.

 

Em geral durante a divulgação que foi feita previamente nas escolas do entorno e na unidade escolar do CEU Vila Atlântica (visitas monitoradas), devido ao fato do projeto acontecer durante o horário de aula, encontramos resistência por parte de alguns professores e/ou coordenadores em relação ao mesmo, eles alegavam: “Cultura não faz parte do dia-a-dia deles, eles não vão querer ir!” ou “Esses alunos só gostam de GLS – Giz, Lousa e Sentar”. Mesmo assim, no dia 17/04, alunos da Unidade Escolar do CEU que estavam interessados em participar do projeto, se organizaram e convenceram uma professora. Neste dia a sala toda compareceu a apresentação.

 

As leituras do espetáculo feitas pelo público foram as mais diversas, mas sempre as pessoas relacionavam as questões de “Fando e Lis – ou Mais uma História de Amor”, com situações de seu cotidiano: amigos que brigam por causa de uma namorada, famílias que saem em busca de diversão, mas não entram num acordo e nunca encontram o Parque (associação à viagem que os personagens fazem rumo à Cidade de Tar); dependência mútua; falta de solidariedade e individualismo, entre outros*

Finalização do projeto

Foto: Finalização do projeto

 

 

“O que eu entendi do que o Parabelo disse?” foi um projeto de mediação teatral, através do qual dialogamos com o público, abrindo espaço para que manifestassem suas subjetividades e expressassem suas idéias sobre o espetáculo, expondo suas opiniões através de imagens artísticas, tornando a relação entre público e ator cada vez mais horizontal.

 

Entrar em contato novamente com a comunidade do CEU Vila Atlântica nos fez reafirmar o quanto uma ação de formação de público contínua é importante, para que as pessoas tenham contato com imagens, sons e sensações, que vão além do seu cotidiano, e que possam se reconhecer como criadoras. E exijam uma programação de qualidade no CEU, para que tenham assegurado o seu direito à cultura e lazer.

 

O projeto afirmou nossa condição de resistência, como grupo atuante em nossa comunidade, na busca pelo respeito aos moradores e pela valorização das manifestações artísticas da periferia.

 

* Vide vídeos: www.youtube.com.br/teatroparabelo

 

Por Thalita Duarte

 

19

de

abril

Brainstorm and happy birthday to you

Estreou no último sábado Abatedouro, um experimento cênico livre inspirado no texto Matadouro Municipal de Tennessee Williams. Entramos em contato com o texto pela primeira vez em 2004 e resolvemos tirá-lo da gaveta para, através dele, propormos um projeto de ocupação para o Espaço Teatro Parabelo.

Estreia "Abatedouro" no espaço Teatro Parabelo

Estreia "Abatedouro" no espaço Teatro Parabelo

 

 

A partir de núcleos abertos à participação da comunidade, entre Março e Abril, improvisamos lançando mão de elementos presentes na Estética do Oprimido, sistematizada por Boal e também do uso de mídia áudio visual. Nesse momento do processo, estamos experimentando a contaminação da dramaturgia através da colagem de outros textos – como por exemplo o uso de trechos do Livro de Jó,  de Luis Alberto de Abreu.

 

A estréia do experimento foi à primeira apresentação teatral  feita no Espaço Teatro Parabelo, e para nossa surpresa, contou com um a presença de um grande público –  não só em termos quantitativos mas, acima de tudo, qualitativos : pessoas interessadas em dialogar com a produção artística periférica de peito aberto, sem medo de ser provocada e de nos provocar, vide às inúmeras colocações feitas ao término da sessão.

 

“(…) Tem muitos focos!”, “(…) Na tv, vocês passam muitos exemplos de Abatedouro né? (…)”, “(…) Abram as janelas! (…)” , “(…) Pra que a corda? (…)”, “(…) É muita violência (…)”, “(…) Achei que a porta ia cair (…)”, “(…) Eu não sabia pra onde olhar (…)”, “(…) Não tem saída, só a arte (…)”, “(…) eu não levantei por que não dá pra mudar!(…)”, “(…) Me dá uma cópia do texto?(…)”, “(…) Muito boa à peça viu tio? Quando tem mais? (…)”, “(…) Eu não entendi a metáfora da gaiola (…)”, “(…) Fala de mudança (…)”, (…) Vocês tem o que dizer (…)” , “(…) Meu Deus! (…)”, (…) Vocês são jovens e tem força eu fiquei muito feliz de ter vindo aqui (…)”, “(…) Reinaldo Maia colocaria essa gaiola na cabeça (…)”.

 

Mesmo sendo um brainstorm com ares de ensaio geral, fiquei muito intrigrado com o estado em que o público estava – como se todos estivessem tentando organizar as peças de um quebra cabeças na busca de um sentido.

Estreia "Abatedouro" no Espaço Teatro Parabelo

Estreia "Abatedouro" no Espaço Teatro Parabelo

 

 

Por outro lado, ali estávamos nós, na véspera de mais um aniversário, constatando como dia após dia fazer do teatro uma arma de resistência faz cada vez mais sentido. Como um espaço modifica não só as condições e as relações de trabalho mas também a relação com o público – tudo ficou mais dialógico, menos tênis e mais freescoball, como diria Rubem Alves.

 

Outro aspecto que só ontem me dei conta é que ali em cena está tudo e todos que impregnaram o nosso jeito de fazer e pensar teatro – tudo ao mesmo tempo agora, mais uma vez, o brainstorm.

Acho que foi o Fernando Peixoto quem disse que os ensaios só começam de verdade quando as cortinas se abrem – concordo.

 

Por Diego Marques

 

 

 

30

de

março

Um pouco de quântica

Para compor os àtomos de nossa matéria em transformação, a magia do teatro, vamos ao núcleo de cada uma destas partículas.

Desta vez, escolhemos Tennesse Williams e Augusto Boal para estimularem as reações químicas de nosso experimento teatral e daí surgiram os “Auto-móveis”

Auto Movéis - núcleo experimental (2009)

Auto Movéis - núcleo experimental (2009)

“Auto-móveis” é a denominação  dos núcleos em pesquisa, que irão gerar a matéria prima “Abatedouro” livre adaptação do texto “O Matadouro Municipal” de Tennessee Williams através dos recursos do Teatro do Oprimido, de Augusto Boal. Estes núcleos destrincham o texto original a partir de uma leitura dramática e das técnicas do Teatro Jornal, Teatro Imagem, Teatro do invisível e Teatro Fórum.

Desse modo a união da energia de cada núcleo é direcionada para a criação de um produto final- matéria física e metafísica do teatro.

Auto Movéis - núcleo experimental (2009)

Auto Movéis - núcleo experimental (2009)

     

Da física temos: corpo, voz, imagem, texto, luz, som, sombra, suor, lágrima…

Da metafísica: idéias, conceitos, visões, debates, comunhões, sentimentos…

Declaramos assim, aberta a temporada de pesquisa e criação no Espaço Teatral Parabelo. E viva os prótons, elétrons, nêutrons e afins!

Auto Movéis - núcleo experimental (2009)

Auto Movéis - núcleo experimental (2009)

Por Denise Rachel

26

de

março

A metrópole e o Teatro

Inauguração do Espaço Teatro Parabelo

Inauguração do Espaço Teatro Parabelo

 

Espaço.  O Espaço agora existe, é palpavél, é concreto,  cheiro, cor, poeira, TABLADO! O sonho que irá gerar tantos outros possiveís e impossiveís. Talvez seja essa a natureza e a finalidade da arte teatral: tornar palpavél os sonhos.

 Enquanto isso, São paulo (DESGRAÇA!) Lá fora. Sim! ” (…) Isso aqui é uma, desculpa a palavra, desculpa você, você e você, mas São Paulo é uma DESGRAÇA! (…)”  palavras de desespero de um morador de rua, na madrugada de uma segunda feira pós show do Radiohead. “(…) Olha esse prédio por fora. Bonito né? Agora vai entrar nele, aí você ve a rachadura”  Palavras ecoando no viaduto Nove de Julho.

 Tantos paradoxos em um único local, tanto prédios, casas, construções com belas fachadas, mas todos rachados por dentro. O Mundo de aparências de Platão, o mundo de aparências segundo a filosofia oriental. O mundo de aparências dita e destrói regras, o mundo de aparências embala tudo a vácuo, esvaziando qualquer possibilidade de respirar. Um mundo congelado, triste, com sorrisos estampados e um olhar vazio - choro e ódio que não param de escorrer por dentro.

São Paulo é plástico, duro e cinzento - imperfeito.  Plástico aço, Plástico ácido. Recipiente quase inesgotavél de embalagens plácidas, quase ínuteis.

Leitura Dramática Inauguração do Espaço Teatro Parabelo

Leitura Dramática Inauguração do Espaço Teatro Parabelo

Diante disso, alcançar os sonhos se torna um ato heróico. Diante disso, o Teatro vem como uma busca de sentido e se faz sentido. Mesmo assim, será o Teatro a resposta para todos esses eventos? Poderá esse dissipar a paralísia? Irá atenuar o vazio que assombra nossos pensamentos diariamente?

Talvez Teatro, em tempos de guerra seja destruir com todas as forças a imensa e não tão distante fábrica de aparências, tomar de assalto os embaladores, bombardear as ruínas que ainda restam…

Por Denise Rachel

 

14

de

março

Sobre meninos e lobos

 

Na última sexta feira 13 demos inicio ao projeto O Que Eu Entendi Do Que O Parabelo Disse?, que por sua vez era uma das ações do projeto (Des) Montando Arrabal mas que ganha vida própria por se revelar como uma poderosa ferramenta para horizontalizar a relação entre palco e platéia, artista e público.                                               

 O projeto, apoiado pela IV Edição do Prêmio Aprendiz Comgás, tem como público alvo os alunos da Escola de Jovens e Adultos (EJA) do CEU Vila Atlântica e do seu entorno, além da comunidade local.

 

Durante a estréia pudemos nos debater com uma  questão que, aparentemente, permeará todo o projeto: o público alvo.

 

Teatro Parabelo

Fando e Lis ou Mais Uma História de Amor Foto: Teatro Parabelo

 

O projeto consiste na apresentação do espetáculo Fando e Lis ou Mais Uma História de Amor mediante a realização de um debate ao término do mesmo. Para tanto, optamos pelos alunos do EJA como público alvo, pois, como a ação visa à formação de platéias e entendemos esses jovens e adultos como potentes vinculadores de informação  dentro da comunidade, cremos que eles possam contribuir para com a sensibilização da comunidade, para que esta venha ocupar e fruir do espaço público, no caso, o CEU Vila Atlântica.

 

No entanto, na sua implementação, o projeto passou por alterações logísticas, saindo de um amplo teatro para uma sala mais intimista que muito contribui para com o espetáculo, porém, dificulta o alcance do seu público alvo, pois,  ao se tratar de um espaço físico menor, dificilmente este conseguiria acomodar uma sala de aula com mais de 30 alunos, e  uma vez que, o projeto acontece às sextas feiras durante o horário de aula, a inclusão do espetáculo no plano de aula do professor, seria um facilitador para a ação. Mas por que tem que ser fácil?

 

Esse cruzamento de horários, acabou por nos fazer questionar um aspecto fundamental ao lidarmos com a formação de público e platéias: o aspecto cultural – Pra quê ir ao Teatro? Por que ir ao Teatro? E mais – Qual o papel do educador nesse processo?

 

Ou seja, ir ao teatro como uma atividade escolar, seja esta extra curricular ou não, nos parece menos interessante  do que ir ao teatro espontaneamente, no pleno exercício de seu livre arbítrio. Faltar à aula para ir ao Teatro? Mas as escolas não suspendem suas aulas durante os jogos da seleção na Copa do Mundo? Não faltamos aos nossos compromissos, sem a menor cerimônia, para acompanhar o último capitulo da novela das oito, ou sua versão pós-moderna, o Big Brother?

 

Assim sendo, colocar essa questão ao aluno do EJA, estimulá-lo a fazer uma revisão de nossos valores culturais parece ser, por si só, um detonador de questões pertinentes  não só ao educando, mas também a instituição de ensino: como entender a ausência de um aluno que, a priori, decide ir ao Teatro, entrar em contato com a produção artística local, e ter a oportunidade de participar artisticamente de um debate sobre tal experiência? São questões que os outros EJAS que receberão as visitas monitoradas de divulgação do projeto, poderão nos ajudar a reverberar.

 

                                                         

 

Teatro Parabelo

Estreia O Que Eu Entendi Do Que O Parabelo Disse? Foto: Teatro Parabelo

 

 

Em contrapartida, eis que,  novamente ela/ele surgem como público cativo de nossas ações no CEU Vila Atlântica: a criança e o adolescente. E outras questões emergem: como lidar com este público com uma temática adulta?  Fomos além: o que seria uma temática adulta para aqueles que já vivem todas as ausências,  marginalizações, violências e opressões típicas do mundo, dito, de adultos?  Mais uma vez, o cerne da questão parece ser a inversão/revisão de valores, mas dessa vez, especialmente de nossos valores enquanto artistas, agentes culturais, educadores e por que não, cidadãos.

 

Acreditamos que na periferia do extremo oeste do município de São Paulo, o conceito de criança e adolescente não pode ser o mesmo que nos jardins, bairro nobre da mesma metrópole. Em outras palavras, o que choca uma criança nascida no Hospital Albert Eisnten não é o mesmo que choca uma criança nascida, às vezes, na ambulância que não consegue chegar a tempo ao pronto socorro mais próximo. Quando nascem.

Teatro Parabelo

Estreia do O Que Eu Entendi Do Que O Parabelo Disse? Foto: Teatro Parabelo

                        

E se chego a tal conclusão, não é pautado em outra coisa, senão, na participação destes ao longo do espetáculo: se um ator pergunta a um espectador, convidado a ir ao palco,  o que ele quer ser quando crescer e ele diz, no auge de seus 15 anos, não sei - O que irá chocá-lo? Se nesse mesmo momento um outro espectador, sentado na platéia, sugere: prostituta! eu novamente me pergunto: O que irá chocá-lo? - uma jovem atriz que, ao interpretar uma personagem que ao se sentir usada como um objeto, despe seu colo e se carimba com um código de barras?

 

Creio que não, pois ao assistir a cena acima descrita, um outro grupo de espectadores, ainda mais jovens, associa o som e a imagem do código de barras com um comercial de TV, de uma  popular  marca de refrigerante e, em coro, a cada vez que atriz  sadicamente se carimbava, eles diziam: aprovado. (e que se considere aqui não só o significado da palavra e se leve em conta à associação feita pelos espectadores)

 

Logo, nossa censura não pode ser a mesma daqueles que ainda carregam no seio de seus valores morais e éticos os mesmos conceitos dos censores de uma não longínqua ditadura militar. Não podemos negligenciar aqueles que talvez não sejam alunos do EJA mas sem sombra de dúvidas são alunos de uma outra escola, para muitos, menos importante, uma tal de vida.

Teatro Parabelo

Cartaz Design Gráfico: Teatro Parabelo

 

Ps: Março é o mês de aniversário do nosso blog, que seja o segundo, de muitos!  E os peões da casa própria continuam girando e ralando, logo,logo, novidades!

 

 

Por Diego Marques

Posts mais antigos »

Report abuse Close
Am I a spambot? yes definately
http://teatroparabelo.blog.terra.com.br
 
 
 
Thank you Close

Sua denúncia foi enviada.

Em breve estaremos processando seu chamado para tomar as providências necessárias. Esperamos que continue aproveitando o servio e siga participando do Terra Blog.