Teatro Parabelo

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18

de

maio

Desemformance

Desemformance (Espaço Teatro Parabelo)

Desemformance (Espaço Teatro Parabelo)

 

 

 

No último sabádo aconteceu o Desemformance, um encontro de perfomance no Espaço Teatro Parabelo através do qual pudemos dialogar com a linguagem que tem contaminado o projeto de pesquisa Experimentos – processo para autonomia criativa do ator. O projeto tem  como ponto de partida o experimento cênico “Abatedouro”  por meio do qual levantamos conceitos que serão aprofundados ao longo dessa pesquisa.

        

IMPRESSOS

 

A morte pela rotina

A potência da máquina

A Fragilidade humana

Take it da minha cara

Desemformance (Espaço Teatro Parabelo)

Desemformance (Espaço Teatro Parabelo)

 

 

 

Briga pela dominação

A corda caiu

A Gravata é a corda

Ele é seu escravo agora

Ele é o seu bichinho

Desemformance (Espaço Teatro Parabelo)

Desemformance (Espaço Teatro Parabelo)

 

 

 

Continuação da alienação

A falta da identidade

Anulação

Pela Rua

Na sarjeta

Medo

Desafio

Desemformance (Espaço Teatro Parabelo)

Desemformance (Espaço Teatro Parabelo)

 

 

 

Reação

Compre-me

Estou a venda

Pegue meu telefone

 

ELIANE ANDRADE

Desemformance (Espaço Teatro Parabelo)

Desemformance (Espaço Teatro Parabelo)

 

 

 

Desemformance (Espaço Teatro Parabelo)

Desemformance (Espaço Teatro Parabelo)

     

Pavimento = Estrada = Bifurcações

 

 

Dionisíaco x Apolíneo. Corpo Real x Corpo Social. Interpretação x Não Interpretação. Apresentação x Acontecimento. Palco x Rua. Espectador x Experimentador. Ator x Performer. Verbo x Imagem. Estudo x Pesquisa. Corpo Natural x Corpo Cultural.

 

Pavimento = Estrada = Bifurcações

 

Desemformance (Espaço Teatro Parabelo)

Desemformance (Espaço Teatro Parabelo)

19

de

abril

Brainstorm and happy birthday to you

Estreou no último sábado Abatedouro, um experimento cênico livre inspirado no texto Matadouro Municipal de Tennessee Williams. Entramos em contato com o texto pela primeira vez em 2004 e resolvemos tirá-lo da gaveta para, através dele, propormos um projeto de ocupação para o Espaço Teatro Parabelo.

Estreia "Abatedouro" no espaço Teatro Parabelo

Estreia "Abatedouro" no espaço Teatro Parabelo

 

 

A partir de núcleos abertos à participação da comunidade, entre Março e Abril, improvisamos lançando mão de elementos presentes na Estética do Oprimido, sistematizada por Boal e também do uso de mídia áudio visual. Nesse momento do processo, estamos experimentando a contaminação da dramaturgia através da colagem de outros textos – como por exemplo o uso de trechos do Livro de Jó,  de Luis Alberto de Abreu.

 

A estréia do experimento foi à primeira apresentação teatral  feita no Espaço Teatro Parabelo, e para nossa surpresa, contou com um a presença de um grande público –  não só em termos quantitativos mas, acima de tudo, qualitativos : pessoas interessadas em dialogar com a produção artística periférica de peito aberto, sem medo de ser provocada e de nos provocar, vide às inúmeras colocações feitas ao término da sessão.

 

“(…) Tem muitos focos!”, “(…) Na tv, vocês passam muitos exemplos de Abatedouro né? (…)”, “(…) Abram as janelas! (…)” , “(…) Pra que a corda? (…)”, “(…) É muita violência (…)”, “(…) Achei que a porta ia cair (…)”, “(…) Eu não sabia pra onde olhar (…)”, “(…) Não tem saída, só a arte (…)”, “(…) eu não levantei por que não dá pra mudar!(…)”, “(…) Me dá uma cópia do texto?(…)”, “(…) Muito boa à peça viu tio? Quando tem mais? (…)”, “(…) Eu não entendi a metáfora da gaiola (…)”, “(…) Fala de mudança (…)”, (…) Vocês tem o que dizer (…)” , “(…) Meu Deus! (…)”, (…) Vocês são jovens e tem força eu fiquei muito feliz de ter vindo aqui (…)”, “(…) Reinaldo Maia colocaria essa gaiola na cabeça (…)”.

 

Mesmo sendo um brainstorm com ares de ensaio geral, fiquei muito intrigrado com o estado em que o público estava – como se todos estivessem tentando organizar as peças de um quebra cabeças na busca de um sentido.

Estreia "Abatedouro" no Espaço Teatro Parabelo

Estreia "Abatedouro" no Espaço Teatro Parabelo

 

 

Por outro lado, ali estávamos nós, na véspera de mais um aniversário, constatando como dia após dia fazer do teatro uma arma de resistência faz cada vez mais sentido. Como um espaço modifica não só as condições e as relações de trabalho mas também a relação com o público – tudo ficou mais dialógico, menos tênis e mais freescoball, como diria Rubem Alves.

 

Outro aspecto que só ontem me dei conta é que ali em cena está tudo e todos que impregnaram o nosso jeito de fazer e pensar teatro – tudo ao mesmo tempo agora, mais uma vez, o brainstorm.

Acho que foi o Fernando Peixoto quem disse que os ensaios só começam de verdade quando as cortinas se abrem – concordo.

 

Por Diego Marques

 

 

 

16

de

abril

O Caminho do Abate

Às 06:00 horas ecoa o berrante; o som reverbera nas gorduras do meu corpo – ele não consegue levantar. O berrante continua a me dizer o que tenho que fazer, mas meu papo e meu bucho insistem em estrebuchar-se num lençol fétido. Não diferencio mais a buzina do mugido, sinto minha massa encefálica lentamente ser fatiada por um cortador de frios. Gordo, não consigo levantar-me, portanto, esparramo meu peso sob minhas patas tortas e cansadas. Já não caminho, arrasto-me ou sou arrastado, provavelmente aprendi a deixar-me arrastar.  Há alguns anos tenho sentido uma corda firme e grossa presa em alguma parte de mim. Talvez na cabeça, talvez no coração.

 

A corda dá um tranco. O berrante ordena. Subo no carro de boi. Alguns tentam manterem-se de pé, outros dormem. São muitos, milhares,  eu diria. Berrante. Todos grandes, gordos e inofensivos. Trânsito engarrafado. Bois. Berrante ensurdecedor. Pela vidraça vemos carnes penduradas em vitrines, estou certo de que não poderei comprar mais que 1ou dois 2 kg. Berrante zunindo. Meu pensamento é interrompido, uma vaca velha e suja me oferece uma lata de sangue de boi gaseificado. Minha boca saliva, o carro dá um tranco e a baba homogênea escorrega. O berrante ocupa todos os espaços vazios da cidade, do meu corpo.

 

O  cheiro de sangue invade minhas ventas. Confundo mugido e buzinas. O carro para. O berrante volta a dizer o que devo fazer. Os bois disparam. O berrante repete. A corda estica. Sono e náusea. Quase despenco no chão. Risadas. Machadadas. Trituradores. Laminas. Acordo. Eles tornam as coisas mais difíceis se você chega atrasado. Eles demoram a acabar com tudo.

 

Por Diego Marques

 

4

de

janeiro

Trilogia da Emancipação: a dramaturgia do Teatro Parabelo

 Ao lançar um olhar sob a dramaturgia do Teatro Parabelo, me deparo com um fato um tanto quanto revelador sobre o teatro que fizemos - e que, a curto prazo, continuaremos a fazer.

 Desde quando eramos Ladrões de Foco, na criação coletiva “As Aventuras de Alipio em Busca de Claudete Bernadete” (2003), até nosso último texto, “Fando e Lis ou Mais uma História de Amor”  (2007), uma livre adaptação da peça de Fernando Arrabal, posso observar uma temática constante e latente no seio da nossa dramaturgia.   

Saulo Ferreira

Ladrões de Foco (2004) foto: Saulo Ferreira

Seja quando narramos a história de um mineirinho que deixa o interior de Minas Gerais rumo a Rede de Televisão, ou quando, em “Chico Tristeza” (2005),  encenamos a saga de um menino em busca do pai no sertão ou, mais recentemente, quando mostramos um casal que busca uma maravilhosa cidade perdida, percebo, numa perspectiva mais profunda, que estavamos, de modos diferentes, manifestando algo sempre similar.

  Entendo que mais que procurar, buscar, desbravar, essas personagens eram  constantemente movidas por um intenso desejo de emancipação.

    Num momento das imposições dos meios de comunicações ao cotidiano, em outro das influências da seca sob as famílias sertanejas e, por último, da penetração e da perpetuação da lógica do mercado nos relaciomentos afetivos, nossa dramaturgia frequentemente aponta um anseio por indepedência nos mais diferentes aspectos.

Elizabeth Susan

Chico Tristeza (2005) Foto:Elizabeth Susan

     Entretanto, essa busca por emancipação sempre se dá  por meio da negação daquilo que não queriamos - o discurso do mercado proferido pelas mídias, a secularidade da seca no âmago das familias nordestinas a reprodução inconsciente das leis do mercado em nossos relacionamentos afetivos. Ou seja, o que nós não queremos sempre me pareceu claro, mas, afinal: E o que queremos?  Se é que queremos.

  O fato é que esse questionamento tem sido fonte de muitas das recentes discussões do Teatro Parabelo, não só no âmbito do fazer artistíco, mas sobretudo no âmbito de ser  artista. Essa inquietação vem sempre imbuída da idéia de um lugar, seja ele material, espiritual, emocional e mesmo artístico, como por exemplo: Qual é o meu lugar no grupo nesse processo? Precisamos alugar um espaço para depositarmos nosso material? seria esse também um espaço para ensaio?  Que comunidade é essa para quem fazemos teatro?

Saulo Ferreira

Fando e Lis (2008) Foto: Saulo Ferreira

      São questões como essas que tem nos movido a tentar um fazer teatral cada vez mais independente de nossas racionalizações estéticas e burocráticas, emancipado da letárgia e do coorporativismo do funcionalismo público, num esforço contante de nos distanciarmos das imposições do mercado que, por vezes, faz nosssa existência  parecer,por si só, utópica.

     O desejo é que o teatro nos sirva de realejo, através do qual, nós mesmos possamos inventar a nossa sorte, nosso destino - além de milhares, de centenas,  de dezenas de outras histórias.

Por Diego Marques

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