19
de
abril
Brainstorm and happy birthday to you
Estreou no último sábado Abatedouro, um experimento cênico livre inspirado no texto Matadouro Municipal de Tennessee Williams. Entramos em contato com o texto pela primeira vez em 2004 e resolvemos tirá-lo da gaveta para, através dele, propormos um projeto de ocupação para o Espaço Teatro Parabelo.
A partir de núcleos abertos à participação da comunidade, entre Março e Abril, improvisamos lançando mão de elementos presentes na Estética do Oprimido, sistematizada por Boal e também do uso de mídia áudio visual. Nesse momento do processo, estamos experimentando a contaminação da dramaturgia através da colagem de outros textos – como por exemplo o uso de trechos do Livro de Jó, de Luis Alberto de Abreu.
A estréia do experimento foi à primeira apresentação teatral feita no Espaço Teatro Parabelo, e para nossa surpresa, contou com um a presença de um grande público – não só em termos quantitativos mas, acima de tudo, qualitativos : pessoas interessadas em dialogar com a produção artística periférica de peito aberto, sem medo de ser provocada e de nos provocar, vide às inúmeras colocações feitas ao término da sessão.
“(…) Tem muitos focos!”, “(…) Na tv, vocês passam muitos exemplos de Abatedouro né? (…)”, “(…) Abram as janelas! (…)” , “(…) Pra que a corda? (…)”, “(…) É muita violência (…)”, “(…) Achei que a porta ia cair (…)”, “(…) Eu não sabia pra onde olhar (…)”, “(…) Não tem saída, só a arte (…)”, “(…) eu não levantei por que não dá pra mudar!(…)”, “(…) Me dá uma cópia do texto?(…)”, “(…) Muito boa à peça viu tio? Quando tem mais? (…)”, “(…) Eu não entendi a metáfora da gaiola (…)”, “(…) Fala de mudança (…)”, (…) Vocês tem o que dizer (…)” , “(…) Meu Deus! (…)”, (…) Vocês são jovens e tem força eu fiquei muito feliz de ter vindo aqui (…)”, “(…) Reinaldo Maia colocaria essa gaiola na cabeça (…)”.
Mesmo sendo um brainstorm com ares de ensaio geral, fiquei muito intrigrado com o estado em que o público estava – como se todos estivessem tentando organizar as peças de um quebra cabeças na busca de um sentido.
Por outro lado, ali estávamos nós, na véspera de mais um aniversário, constatando como dia após dia fazer do teatro uma arma de resistência faz cada vez mais sentido. Como um espaço modifica não só as condições e as relações de trabalho mas também a relação com o público – tudo ficou mais dialógico, menos tênis e mais freescoball, como diria Rubem Alves.
Outro aspecto que só ontem me dei conta é que ali em cena está tudo e todos que impregnaram o nosso jeito de fazer e pensar teatro – tudo ao mesmo tempo agora, mais uma vez, o brainstorm.
Acho que foi o Fernando Peixoto quem disse que os ensaios só começam de verdade quando as cortinas se abrem – concordo.
Por Diego Marques




Comentário por Denilson — 20 20UTC abril 20UTC 2009 (8:07)
Nossa que loucura! Estava desregulado!
Tanta coisa ali, e tudo tão intenso!
Parabéns parabelos; pelo novo trabalho e pelo nosso aniversário!!!
Comentário por Luciana Lima — 20 20UTC abril 20UTC 2009 (23:07)
Tá vendo, e depois você ainda me chamou de exagerada quando eu disse que o espaço era internacional, né?, senhor Diego! =)
Beijos!
Comentário por Silvia Cássivi — 12 12UTC maio 12UTC 2009 (1:17)
Adorei a apresentação, quero ver outras vezes.
Vou tentar levar mais amigos
comentario cretino nº 1:
por que não dizer ‘abertos ao publico’ ao inves de ‘comunidade’?
comentario cretinho nº2:
quero credito nas fotos das proximas fotos.
Beijos, até breve.