14
de
março
Sobre meninos e lobos
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Na última sexta feira 13 demos inicio ao projeto O Que Eu Entendi Do Que O Parabelo Disse?, que por sua vez era uma das ações do projeto (Des) Montando Arrabal mas que ganha vida própria por se revelar como uma poderosa ferramenta para horizontalizar a relação entre palco e platéia, artista e público.                                              Â
 O projeto, apoiado pela IV Edição do Prêmio Aprendiz Comgás, tem como público alvo os alunos da Escola de Jovens e Adultos (EJA) do CEU Vila Atlântica e do seu entorno, além da comunidade local.
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Durante a estréia pudemos nos debater com uma questão que, aparentemente, permeará todo o projeto: o público alvo.
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O projeto consiste na apresentação do espetáculo Fando e Lis ou Mais Uma História de Amor mediante a realização de um debate ao término do mesmo. Para tanto, optamos pelos alunos do EJA como público alvo, pois, como a ação visa à formação de platéias e entendemos esses jovens e adultos como potentes vinculadores de informação dentro da comunidade, cremos que eles possam contribuir para com a sensibilização da comunidade, para que esta venha ocupar e fruir do espaço público, no caso, o CEU Vila Atlântica.
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No entanto, na sua implementação, o projeto passou por alterações logÃsticas, saindo de um amplo teatro para uma sala mais intimista que muito contribui para com o espetáculo, porém, dificulta o alcance do seu público alvo, pois,  ao se tratar de um espaço fÃsico menor, dificilmente este conseguiria acomodar uma sala de aula com mais de 30 alunos, e uma vez que, o projeto acontece à s sextas feiras durante o horário de aula, a inclusão do espetáculo no plano de aula do professor, seria um facilitador para a ação. Mas por que tem que ser fácil?
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Esse cruzamento de horários, acabou por nos fazer questionar um aspecto fundamental ao lidarmos com a formação de público e platéias: o aspecto cultural – Pra quê ir ao Teatro? Por que ir ao Teatro? E mais – Qual o papel do educador nesse processo?
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Ou seja, ir ao teatro como uma atividade escolar, seja esta extra curricular ou não, nos parece menos interessante  do que ir ao teatro espontaneamente, no pleno exercÃcio de seu livre arbÃtrio. Faltar à aula para ir ao Teatro? Mas as escolas não suspendem suas aulas durante os jogos da seleção na Copa do Mundo? Não faltamos aos nossos compromissos, sem a menor cerimônia, para acompanhar o último capitulo da novela das oito, ou sua versão pós-moderna, o Big Brother?
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Assim sendo, colocar essa questão ao aluno do EJA, estimulá-lo a fazer uma revisão de nossos valores culturais parece ser, por si só, um detonador de questões pertinentes não só ao educando, mas também a instituição de ensino: como entender a ausência de um aluno que, a priori, decide ir ao Teatro, entrar em contato com a produção artÃstica local, e ter a oportunidade de participar artisticamente de um debate sobre tal experiência? São questões que os outros EJAS que receberão as visitas monitoradas de divulgação do projeto, poderão nos ajudar a reverberar.
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Em contrapartida, eis que, novamente ela/ele surgem como público cativo de nossas ações no CEU Vila Atlântica: a criança e o adolescente. E outras questões emergem: como lidar com este público com uma temática adulta?  Fomos além: o que seria uma temática adulta para aqueles que já vivem todas as ausências, marginalizações, violências e opressões tÃpicas do mundo, dito, de adultos? Mais uma vez, o cerne da questão parece ser a inversão/revisão de valores, mas dessa vez, especialmente de nossos valores enquanto artistas, agentes culturais, educadores e por que não, cidadãos.
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Acreditamos que na periferia do extremo oeste do municÃpio de São Paulo, o conceito de criança e adolescente não pode ser o mesmo que nos jardins, bairro nobre da mesma metrópole. Em outras palavras, o que choca uma criança nascida no Hospital Albert Eisnten não é o mesmo que choca uma criança nascida, à s vezes, na ambulância que não consegue chegar a tempo ao pronto socorro mais próximo. Quando nascem.
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E se chego a tal conclusão, não é pautado em outra coisa, senão, na participação destes ao longo do espetáculo: se um ator pergunta a um espectador, convidado a ir ao palco, o que ele quer ser quando crescer e ele diz, no auge de seus 15 anos, não sei - O que irá chocá-lo? Se nesse mesmo momento um outro espectador, sentado na platéia, sugere: prostituta! eu novamente me pergunto: O que irá chocá-lo? - uma jovem atriz que, ao interpretar uma personagem que ao se sentir usada como um objeto, despe seu colo e se carimba com um código de barras?
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Creio que não, pois ao assistir a cena acima descrita, um outro grupo de espectadores, ainda mais jovens, associa o som e a imagem do código de barras com um comercial de TV, de uma  popular  marca de refrigerante e, em coro, a cada vez que atriz  sadicamente se carimbava, eles diziam: aprovado. (e que se considere aqui não só o significado da palavra e se leve em conta à associação feita pelos espectadores)
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Logo, nossa censura não pode ser a mesma daqueles que ainda carregam no seio de seus valores morais e éticos os mesmos conceitos dos censores de uma não longÃnqua ditadura militar. Não podemos negligenciar aqueles que talvez não sejam alunos do EJA mas sem sombra de dúvidas são alunos de uma outra escola, para muitos, menos importante, uma tal de vida.
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Ps: Março é o mês de aniversário do nosso blog, que seja o segundo, de muitos!  E os peões da casa própria continuam girando e ralando, logo,logo, novidades!
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Por Diego Marques





