1
de
fevereiro
O sonho da casa própria
 Provisória ou fixa, uma sede dá a chance para os atores se integrarem, dividirem figurinos, palco, luzes e discussões. Um espaço próprio ajuda também a formar um público e permitir o envolvimento da companhia na busca por uma identidade de linguagem e estética. Esse é o sonho de muitos artistas, mas poucos realmente conseguem concretizá-lo. Mesmo assim, apesar da polÃtica cultural ser complicada no paÃs, eles têm lutado para reafirmar a importância da criação de um ambiente de trabalho.Â
                                  Por Natália Marques em reportagem para o Site UOL                                             Â
 Não preciso dizer que a reportagem citada acima caiu como uma luva para o Teatro Parabelo, pois, desde o final do ano passado, haviamos percebido que um espaço fÃsico se fazia necessário para dar cabo das questões organizacionais do coletivo, uma vez que o espaço público no qual vinhamos ensaiando ao longo dos últimos dois  anos  (leia-se CEU Vila Atlântica) não dá conta do armazanamento do material de todos os artistas que produzem em suas dependências.
 Assim sendo, começamos a nos questionarmos a respeito da utilidade de um espaço que serveria, a priori, apenas para acomodar as nossas quinquilharias. Depois de muito remoermos a questão, nos parecia claro que, para fazer jus ao seu cu$$$to benefÃcio, este lugar também deveria servir de espaço para ensaio.
 Porém, novamente nos vimos numa encruzilhada : não nos parecia sábio abrir mão de um espaço onde vinhamos construÃndo um trabalho de formação de público e platéia (através de peças, debates, exposições, intervenções e oficinas ) cujo qual já podemos perceber os singelos, porém, bonitos e eficazes resultados.Â
 Em contrapartida, a possibilidade de administrar um espaço onde possamos nos engajar para a oferta não só de espetáculos teatrais, mas também, de um espaço para a pesquisa e a reflexão acerca do fazer teatral, parece fazer jus a nosso perfil, já ressaltado, de agentes culturais (”vocês são péssimos artistas! mas ótimos agentes culturais..”, ouvimos certa vez. risos.)
 Além disso, um espaço também ofereceria mais praticidade e flexibilidade para os ensaios do Teatro Parabelo, algo importante para um coletivo cujo atual formação foi recentmente ameaçada pelas cobranças de um sistema que, muitas vezes, não nos deixa outra alternativa de sobrevivência senão a dita ‘inserção’ no mercado formal de trabalho - e é claro que estou falando aqui de jovens na faixa dos 20 anos, moradores da periferia do principal centro mercantil da América Latina, caso contrário, longe de nós trabalharmos 8 horas por dia (quando arrumamos emprego) para pagarmos o curso de artes cênicas a noite (sim, eu sei existe Prouni, USP, e blá, blá,blá mas quem vai pagar as contas aqui em casa?) e agora - tchã tchã tchã - também o aluguel de um espaço!
É por essas, e outras, que ainda nos encontramos nessa angústia entre o espaço público e o privado, ops, quis dizer locado. risos.
Mas vale ressaltar, que, desse qui pro có inaugural de 2009, já pudemos tirar algumas boas conclusões, à saber:
 1 - Ensaiar num espaço locado com todas as suas regalias não significa, necessariamente, abrir mão do trabalho inciado no CEU Vila Atlântica - tanto é que nosso próximo processo criativo se desenvolverá lá em conjunto da comunidade do entorno.
2 - Locar um espaço nos traz a possibilidade de ampliar esse trabalho de formação de público e platéia dentro do bairro, além de possibilitar que possamos pesquisar e experimetar teatro de maneira mais autônoma e emancipada, uma vez que não teremos nenhuma restrição de horário, material, etc.
3 - Diante do contexto histórico e social, infelizmente, é natural que tenhamos que desembolsar ( o que ainda nem foi embolsado!) para financiar os nossos projetos, mas o que nos acalenta é que, talvez, inciativas como essa possam inspirar aqueles que lutarão para com que a arte e a cultura sejam direitos não só constituicionalizados, mas acima de tudo, assegurados e usufruÃdos.
 Dessa maneira ….  locamos ?!?!
Por Diego Marques


