Teatro Parabelo

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4

de

janeiro

Trilogia da Emancipação: a dramaturgia do Teatro Parabelo

 Ao lançar um olhar sob a dramaturgia do Teatro Parabelo, me deparo com um fato um tanto quanto revelador sobre o teatro que fizemos - e que, a curto prazo, continuaremos a fazer.

 Desde quando eramos Ladrões de Foco, na criação coletiva “As Aventuras de Alipio em Busca de Claudete Bernadete” (2003), até nosso último texto, “Fando e Lis ou Mais uma História de Amor”  (2007), uma livre adaptação da peça de Fernando Arrabal, posso observar uma temática constante e latente no seio da nossa dramaturgia.   

Saulo Ferreira

Ladrões de Foco (2004) foto: Saulo Ferreira

Seja quando narramos a história de um mineirinho que deixa o interior de Minas Gerais rumo a Rede de Televisão, ou quando, em “Chico Tristeza” (2005),  encenamos a saga de um menino em busca do pai no sertão ou, mais recentemente, quando mostramos um casal que busca uma maravilhosa cidade perdida, percebo, numa perspectiva mais profunda, que estavamos, de modos diferentes, manifestando algo sempre similar.

  Entendo que mais que procurar, buscar, desbravar, essas personagens eram  constantemente movidas por um intenso desejo de emancipação.

    Num momento das imposições dos meios de comunicações ao cotidiano, em outro das influências da seca sob as famílias sertanejas e, por último, da penetração e da perpetuação da lógica do mercado nos relaciomentos afetivos, nossa dramaturgia frequentemente aponta um anseio por indepedência nos mais diferentes aspectos.

Elizabeth Susan

Chico Tristeza (2005) Foto:Elizabeth Susan

     Entretanto, essa busca por emancipação sempre se dá  por meio da negação daquilo que não queriamos - o discurso do mercado proferido pelas mídias, a secularidade da seca no âmago das familias nordestinas a reprodução inconsciente das leis do mercado em nossos relacionamentos afetivos. Ou seja, o que nós não queremos sempre me pareceu claro, mas, afinal: E o que queremos?  Se é que queremos.

  O fato é que esse questionamento tem sido fonte de muitas das recentes discussões do Teatro Parabelo, não só no âmbito do fazer artistíco, mas sobretudo no âmbito de ser  artista. Essa inquietação vem sempre imbuída da idéia de um lugar, seja ele material, espiritual, emocional e mesmo artístico, como por exemplo: Qual é o meu lugar no grupo nesse processo? Precisamos alugar um espaço para depositarmos nosso material? seria esse também um espaço para ensaio?  Que comunidade é essa para quem fazemos teatro?

Saulo Ferreira

Fando e Lis (2008) Foto: Saulo Ferreira

      São questões como essas que tem nos movido a tentar um fazer teatral cada vez mais independente de nossas racionalizações estéticas e burocráticas, emancipado da letárgia e do coorporativismo do funcionalismo público, num esforço contante de nos distanciarmos das imposições do mercado que, por vezes, faz nosssa existência  parecer,por si só, utópica.

     O desejo é que o teatro nos sirva de realejo, através do qual, nós mesmos possamos inventar a nossa sorte, nosso destino - além de milhares, de centenas,  de dezenas de outras histórias.

Por Diego Marques

3 Comentários »

  1. Comentário por Thalita — 5 05UTC janeiro 05UTC 2009 (9:11)

    Que busca é essa, que o tempo todo me deixa inquieta, angustiada… mas que não sei reconhecer ainda?! Estamos sim, trilhando um caminho concreto, onde coletivamente sabemos que queremos algo, sabemos que algum sentido/sentimento nos une. Mas que inquietação é essa que não consigo decifrar?! Artista ou não?! Qual é o meu lugar nesse mundo, no nosso mundo?! O que posso contribuir?! Como evoluir?! Porque?! Porque?! Porque?! (…) (?)

  2. Comentário por Lorran Siqueira — 25 25UTC janeiro 25UTC 2009 (23:10)

    Gostaria relatar uma de minhas frustrações aqui!

    NÃO ter participado desse processo que parece ter sido FODAAAAA de bom!

    Agora mais uma…

    NUNCA ter assistido vcs fora dos lugares onde nós estávamos juntos por acaso…

    Um pedido…

    Continuem me avisando sempre que houve algo novo… pensando bem, pode ser algo velho também, por favor… Um dia eu mato minha frustração.

  3. Comentário por Michel - Elo da Corrente — 28 28UTC janeiro 28UTC 2009 (17:50)

    Salve Parabelo

    Li o livro, muito loco todos os textos e relatos, fiquei com um gostinho de quero mais das oficinas e arrependido pelas que não pude participar. Parabéns pela publicação só enriquece e aquece nosso tempo. Mó honra ser contemporâneo e amigo de vocês.
    Agradece pelo agradecimento e foto publicada, tamô junto pelas artimanhas dessa arte.

    Valeu Talita e Eliane pela visita, a casa é nossa

    Um abraço e semeação sempre

    Michel

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