2
de
outubro
Canções de amor se parecem…
…Porque não existe outro amor. (Zeca Balero) por Luciana Lima

Na nova fase desta adaptação do texto de Fernando Arrabal do Teatro Parabelo, com ares de “A Favorita” versão surrealista, a criminosa da vez é a doce Lis (Thalita Duarte) – a despeito do até então supermalvado Fando (Denilson Vendramini), o bufão incansável. Mas isso não resume o enredo, já que a peça não está, nunca esteve e jamais estará pronta. É por isso que é sempre surpreendente ver meus queridos Parabelos em cena: pela habilidade de se reinventar a cada nova encenação, e até mesmo a cada novo ensaio. Embora fale de amor – o que a aproxima das demais histórias do gênero, como revela o próprio subtítulo – esse amor não é fácil nem óbvio, pois é um amor que assume novas nuances a cada discussão e laboratório. Afinal, nenhum amor pode ser só o que se vê.

Assisti ao último ensaio do grupo, e gostei bastante de alguns recursos introduzidos nesta atual encenação, como a música em cena – acompanhando as letras de cunho cafajeste que tomaram corpo nesta versão, executadas pelo fanfarrão Diego Marques (que assume a direção) e pela charmosa Eliane Andrade – e as projeções, feitas ao longo da montagem em tempo real por Dirceu Vendramini, em vez de serem executadas em mídia previamente gravada. Este último recurso, aliás, é a novidade desta versão que mais me chamou a atenção. A câmera em cena, que registra todos os pormenores e contempla o espectador com a matéria que não vemos na cena ativa no palco dá à encenação um caráter de Grande Irmão, transformando a platéia naquela que tudo vê e, portanto, participa ativamente do jogo de cena, podendo refutar, com maior liberdade, ao viés cênico que não lhe interessar, ao mesmo tempo em que tem ciência de todos os mínimos detalhes. Tudo isso traz fôlego novo à montagem e mostra a habilidade da trupe de lidar com o experimental, de inovar, além de ressaltar a proposta de tornar o público um elemento ativo do texto, matéria viva e pulsante, em constante movimento.

Fando & Lis mostra os desmandos de um amor louco, que se torna ação e reação devido à solidão (“Eu só tenho você no mundo, não me deixe”), em um universo onírico no qual cada movimento é essencial a um jogo que culmina em um xeque-mate frustrante, pois amputa uma parte daquilo que não pode ser amputado, por ser um todo fundamental (Yin/Yang).

Tar é o ponto de chegada ao qual o amor de dois personagens, paralisados por suas incertezas, pretende chegar. Mas a Tar, como informa o coro, é impossível chegar.
Fotos: Saulo Ferreira
PS: Enquanto isso no (Des)Montando Arrabal http://www.fotolog.com/teatroparabelo


Comentário por Denilson Vendramini — 5 05UTC outubro 05UTC 2008 (0:15)
Obrigado Luciana pelo seu carinho que nos acompanha a tempos…………
…….e obrigado Saulo pelas belas fotos.