17
de
abril
O Clown é um poeta do pior
Clown : derivado da palavra inglesa “clod”, que significa camponês. O clown se deriva do “clod” por ser a figura mais caçoada nas vilas e cortes da idade média, por seu modo engraçado e grotesco de falar, agir e se vestir .
Lee Andrade, atriz do Teatro Parabelo
“ O clown é a exposição do ridículo e das fraquezas de cada um. Logo ele é um tipo pessoal e único”
( Henry Miller)
O Clown não se representa - ele é, em outras palavras, não se trata de uma entidade externa a nós, mas da ampliação e dilatação dos aspectos ingênuos, puros e humanos (como nos clods), portanto “estúpidos”, de nosso próprio ser. O trabalho de criação de um clown é extremamente doloroso, pois confronta o artista consigo mesmo, colocando à mostra os recantos escondidos de sua pessoa; vem daí seu caráter profundamente humano.
O Clown é um ser humano em estado puro, essencial; um ser que ainda é capaz de ser, de se surpreender, de fazer descobertas, de estranhar o mundo em que se vive e, apartir desse estranhamento de subverter o estabelecido.
O amigo Paulo Augusto, ator do Teatro Da Gangorra
Essa autencidade é a maior qualidade e motivo de queda de um Clown, pois é apartir dela que se estabelece sua inadequação e inabilidade de lidar com as regras. A função básica de um clown é fazer rir. Rimos dele ou do que ele faz porque nos identificamos com ele e reconhecemos nele a fablibilidade da condição humana. Chocando-se contra padrões estabelecidos e estranhando-os, o Clown os desvenda e expõe seus padrões e mecanismos
Exercicio de Sombras , ensaio Teatro Parabelo
O NARIZ DE PALHAÇO : A MENOR MÁSCARA DO MUNDO
A máscara exige que o ator entre em contato com seu fracasso e seu ridiculo, e pode ajuda-lo a aceita-los como uma condição inerente ao processo de criação. Aceitar sua própria inadequação é fundamental para o ator. Além disso, a máscara permite ao ator uma sutilização de sua percepção, o que estimula uma relação muito mais intensa consigo mesmo e com o outro.
A utilização da máscara pode ser um instrumento libertador e tranformador , levando ao despojamento e a aceitação do seu ridículo, a escuta verdadeira de si mesmo e do outro, e a poesia no olhar e no registrar o mundo em que esse ator está inserido e interage.

Exercicio de Sombras, Ensaio Teatro Parabelo
Texto adaptado por : De Vendramini e Di Marques
Edição: Lee Andrade e Di Marques
Fotos: Saulo www.flickr.com/photos/saulo e Arquivo Teatro Parabelo

