26
de
março
Sou parabelo sobre a terra …
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 Em latim, para bellum, prepara a guerra.
O Parabelo é uma pistola de grosso calibre que era utilizada pelo exército Alemão. No fim do século XIX , começo de século XX essa arma foi importada em grande quantidade pelo exército Brasileiro.
Nessa época aconteceu um fenômeno no nordeste brasileiro: o cangaço. O movimento tem suas origens em questões sociais e fundiárias do Nordeste Brasileiro, era caracterizado por ações violentas e nômades e atuavam em grupo ou individualmente.
O Parabelo era uma arma frequentemente utilizada pelos militares em suas frentes contra os cangaceiros, entretando, os próprios militares eram constantemente vitimas de saques realizados pelos seus adversários, que tinham um objetivo especifico em seus furtos - o Parabelo.
As armas roubadas pelos cangaceiros eram então utilizadas em resistencia a ação dos próprios militares, desde então, o Parabelo tornou-se um simbolo de resistência.
Os atores do Grupo Teatro Parabelo identificam-se com esse simbolo, e em certos aspectos, com essa passagem da História Do Brasil.
Enquanto moradores de periferia de um pais de terceiro mundo, o Teatro sempre nos foi apresentado de maneira distante, elitizada.
Essa linguagem artistica tem sido utilizada pela burguesia como meio de opressão ao propagar, através desta, seus valores e ideais, assim como aquela arma era utilizada pelos militares no começo do século XX.
Da mesma forma como aqueles cangaceiros, tomamos essa arma em nossas mãos no intuito de firmar resistência diante daquilo que nos oprime. O Teatro é o nosso Parabelo.
Como aqueles Lampiões e Marias Bonitas por muito tempo perambulamos sem moradia fixa - aprendemos a ser daqui… daÃ, aprendemos a ser de todo lugar.
Do mesmo modo que aqueles cangaceiros, o que nos une, além de questões afetivas, são questões de ordem sociais e culturais.
São essas dúvidas que compartilhamos entre nós. E para elas não queremos respostas, queremos dividir essas perguntas com o público, com a nossa comunidade, com vocês - portanto não queremos admiradores, queremos cumplices.
Não temos nada a dizer, mas muito a fazer.Â
                                                                                                            Diego Marques
                                                                                   Ouçam ” Cego Com Cego”
                                                                              Tom Zé e José Miguel Wisnik
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